O governo do Brasil expressou, na última sexta-feira (29/5), sua oposição à decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas. A nota oficial da Secretária de Comunicação destacou que essa ação "enfraquece o combate aos criminosos" e afeta questões internas do país.
Na mesma declaração, a administração de Lula relacionou a classificação do Departamento de Estado dos EUA à atuação da família Bolsonaro em solo americano. O governo chamou de "deplorável" que membros da família se dirijam aos Estados Unidos para "defender intervenção estrangeira no Brasil", referindo-se a um tarifaço divulgado contra o Brasil no ano anterior.
O texto também alerta que medidas unilaterais, como a anunciada pelo Departamento de Estado, podem "enfraquecer o combate aos criminosos" e colocar em risco a vida de pessoas alheias ao crime. O governo brasileiro reafirmou sua disposição para colaboração internacional, mas deixou claro que não aceitará "medidas arbitrárias" do exterior que sirvam como justificativa para atacar a soberania e a economia do país.
A reação oficial do Brasil ocorreu logo após o Departamento de Estado dos EUA anunciar sua intenção de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa decisão foi desencadeada por uma visita do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, onde se encontrou com importantes autoridades americanas.
Durante sua estadia em Washington, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve reuniões com o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o Secretário de Estado Marco Rubio. Em declarações, ele confirmou que solicitou explicitamente a classificação das duas organizações criminosas como terroristas, reafirmando a necessidade dessa designação.
A tensão entre Brasil e Estados Unidos se intensifica com essa nova classificação, colocando em evidência as divergências na abordagem do combate ao crime organizado e a proteção da soberania nacional. A resposta do governo brasileiro reflete a preocupação com possíveis consequências que a decisão americana possa trazer para a segurança pública e a política interna do país.