A energia eólica nos Estados Unidos enfrenta um cenário desafiador, especialmente com a oposição aberta do presidente Donald Trump, que tem expressado seu desdém pela fonte renovável. Ao longo do tempo, Trump atribuiu falsamente à energia eólica casos de câncer e a morte de baleias no Oceano Atlântico. Desde seu retorno ao poder, ele intensificou esforços para dificultar a expansão desse tipo de energia, incluindo a retirada de licenças e ordens que paralisam obras, além de oferecer pagamentos a empresas que desistam de projetos eólicos em favor da exploração de petróleo e gás.
Apesar das barreiras impostas, a previsão é de que a capacidade de geração de energia eólica offshore nos EUA aumente quase 35 vezes até 2027, em comparação ao início de sua gestão. Jeremy Firestone, professor emérito da Escola de Ciência e Política Marinha da Universidade de Delaware, descreve essa situação como "uma história de dois mundos", refletindo a contradição entre a oposição política e o potencial de crescimento do setor.
O aumento nos preços dos combustíveis e a crescente demanda por eletricidade, impulsionada por data centers de inteligência artificial, tornam a energia limpa ainda mais necessária, segundo defensores do setor. Ted Kelly, diretor de energia limpa da ONG Fundo de Defesa Ambiental (EDF), ressaltou que bloquear a energia eólica pode ter efeitos diretos sobre os consumidores, especialmente em um contexto de aumento de preços.
No primeiro dia de seu segundo mandato, Trump emitiu um memorando executivo que congelou o arrendamento de novas áreas para projetos eólicos, uma medida que ativistas chamaram de "proibição da energia eólica". Além disso, foram emitidas ordens de paralisação para cinco iniciativas offshore em construção, citando preocupações de segurança nacional, e retiradas licenças de projetos previamente autorizados.
A situação atual, com a demanda por eletricidade em ascensão e a preocupação com as contas de energia, leva especialistas a acreditar que a lógica econômica da energia eólica se tornará predominante. Os três estados que mais produzem energia eólica em terra — Texas, Iowa e Oklahoma — têm uma base conservadora, mas mais de 80% dos eleitores americanos apoiam um aumento na utilização de energias renováveis. Dentre eles, 77% pertencem ao partido republicano.
Pasha Feinberg, do grupo de defesa da energia eólica offshore Turn Forward, afirma que a necessidade de atender à demanda energética torna a energia eólica uma opção inevitável. "Não temos escolha a não ser usá-la se quisermos atender às nossas demandas energéticas", conclui Feinberg. Com essas dinâmicas, a energia eólica nos Estados Unidos se vê em um ponto crítico de potencialização, mesmo diante de um ambiente político adverso.