A facção Comando Vermelho (CV) tem ampliado sua influência no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, em um contexto em que o governo americano a classificou como uma organização terrorista. Esse movimento está gerando um aumento nas disputas entre grupos criminosos tanto no Rio de JANEIRO quanto em outras partes do país, conforme apontam investigações policiais.
Um estudo realizado pelo Instituto Fogo Cruzado em colaboração com o GENI-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense) revela que o Comando Vermelho foi o grupo armado que mais expandiu suas áreas de influência na região metropolitana do Rio de JANEIRO nos últimos anos. A pesquisa indica que a facção tem avançado sobre territórios que antes eram dominados por milícias e outros grupos rivais.
Os pesquisadores ressaltam os efeitos da violência armada na vida cotidiana da população, que incluem o fechamento de escolas, interrupções em linhas de transporte público e um aumento na sensação de insegurança. Além disso, a expansão da facção se intensificou na Amazônia Legal, onde Relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o grupo tem se estabelecido em cidades estratégicas, beneficiando-se das rotas internacionais de tráfico de cocaína provenientes da Colômbia e do Peru.
As investigações também apontam para a atuação criminosa do Comando Vermelho em atividades como garimpo ilegal, exploração de madeira e controle de rotas fluviais. No Nordeste, a expansão do CV ocorre principalmente por meio da incorporação de grupos regionais e da formação de alianças locais.
O sociólogo Luiz Fábio Paiva, professor da UFC (Universidade Federal do Ceará), analisa que o modelo de expansão do Comando Vermelho é distinto do adotado pelo PCC, que também será classificado como terrorista pelo governo americano. Segundo Paiva, o PCC se expandiu com um sistema de controle mais centralizado, enquanto o CV cresceu de forma mais difusa, através de suas ideias e conexões regionais.
Desde março de 2025, a Polícia Civil tem realizado operações contra o tráfico, resultando na prisão de mais de 345 suspeitos e na morte de 137 indivíduos em confrontos com as forças de segurança. Durante essas ações, foram apreendidas 477 armas de fogo, incluindo 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições, evidenciando o armamento pesado utilizado pela facção.