O presidente colombiano levantou sérias alegações sobre o sistema de contagem, afirmando que o software utilizado pela empresa dos irmãos Bautista, responsável pela apuração dos dados, foi alterado em três ocasiões na semana anterior à votação. Essas modificações teriam inserido 800 mil fichas de inscrição eleitoral de indivíduos não registrados no censo oficial, resultando em dois censos distintos: um oficial, fornecido pela Registraduría, e outro gerado por um sistema privado. Petro afirmou que as seções eleitorais revelam que muitos votos foram adicionados sem a devida inscrição de eleitores.
Petro ainda mencionou um suposto relatório de inteligência que, segundo ele, foi discutido em abril de 2025, onde os irmãos Bautista teriam proposto algoritmos com o intuito de favorecer De la Espriella durante a contagem dos votos. A equipe do candidato de direita negou essas acusações na ocasião.
O sistema eleitoral da Colômbia é baseado em cédulas de papel, que são apuradas manualmente nas mesas eleitorais e, posteriormente, transmitidas digitalmente a um centro de computação nacional. A pré-contagem divulgada pela Registraduría é meramente informativa, não possuindo validade jurídica. O resultado oficial é consolidado pelas comissões escrutinadoras, que são compostas por juízes e atuam nas semanas seguintes ao pleito.
Após o anúncio da pré-contagem, De la Espriella se pronunciou em Barranquilla, afirmando que defenderá a democracia “pela razão ou pela força” e solicitou a Petro que não desconsiderasse os resultados. Iván Cepeda, por sua vez, também requisitou esclarecimentos sobre mesas que apresentaram “votações atípicas”, destacando que sua campanha ainda estava revisando os dados antes de se posicionar oficialmente sobre o resultado.
A rejeição de Petro aos resultados ocorre após uma campanha em que as pesquisas indicavam consistentemente Iván Cepeda como o favorito para liderar o primeiro turno. A mudança nos números, com De la Espriella superando o candidato governista por aproximadamente três pontos percentuais, contraria as principais sondagens divulgadas antes da eleição. Até o fechamento desta edição, o presidente não apresentou provas documentais que sustentassem suas alegações sobre as supostas manipulações no software.