Um ato em protesto contra o feminicídio mobilizou a manhã desta terça-feira (9/6) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. No local, dezenas de cruzes foram instaladas, cada uma representando uma mulher brasileira assassinada, com nomes e datas de nascimento e morte. A ação chamou atenção para a grave realidade dos feminicídios no país.
Entre as cruzes, destacava-se o nome de Daniella Pelaes, uma mulher de 46 anos que foi brutalmente assassinada em maio de 2024 pelo ex-marido em seu lar, no Jardim Botânico. O ato foi organizado pela família de Daniella, que se deslocou do Amapá para Brasília, onde o júri do acusado, Janilson Quadros de Almeida, ocorrerá nesta quarta-feira (10/6).
Maria do Socorro Pelaes, mãe de Daniella, compartilhou como tem lidado com a dor da perda nos últimos dois anos. Durante o protesto, ela expressou que a iniciativa é uma forma de honrar a memória da filha e buscar justiça pela sua morte. "É uma homenagem para buscar a justiça, primeiro a justiça de Deus, depois a justiça dos homens. Tenho que sair daqui mais aliviada, para não ficar impune essa maldade, foi muito mal. A minha filha não merecia ser assassinada dessa forma, de jeito nenhum", afirmou Maria do Socorro, ressaltando a tragédia que se abateu sobre sua família.
O cunhado de Daniella, Flávio Barreto, também participou do ato e destacou a importância da manifestação. Ele enfatizou que o objetivo é pedir justiça por todas as mulheres que são vítimas de violência de gênero. Flávio refletiu sobre a contradição que envolve o local onde muitas mulheres são assassinadas, que deveria ser um espaço seguro: "Estamos falando de 1.470 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, o que representa uma média alarmante de cinco mulheres assassinadas por dia. Esses números parecem de um país em guerra", declarou.
Além da exposição das cruzes, o protesto contará com uma segunda fase programada para as 17h, que incluirá uma marcha entre a Esplanada dos Ministérios e o Supremo Tribunal Federal (STF). Esta ação busca aumentar a visibilidade da luta contra a violência de gênero e exigir ações efetivas para a proteção das mulheres no Brasil.