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Facções Criminosas Expandem Atuação em Setores da Economia Brasileira

Facções como PCC e CV ampliam sua influência em áreas como combustíveis, agronegócio e mercado imobiliário. Pesquisa revela que 19% dos brasileiros vivem sob...
Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

As facções criminosas do Brasil, tradicionalmente ligadas ao tráfico de drogas, têm ampliado seu raio de ação, ocupando espaços significativos na economia formal. Grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão agora envolvidos em setores variados, incluindo combustíveis, agronegócio, mercado imobiliário, transporte e entretenimento. Essa análise é feita pelo delegado da Polícia Federal Alexandre Custódio Neto, que coordena a Repressão a Drogas e Facções Criminosas na Diretoria de Combate ao Crime Organizado (CGPRE/Dicor).

Custódio Neto observou que as facções exercem uma espécie de "governança criminal" nas áreas sob seu controle, estabelecendo normas e impondo regras tanto para a população quanto para os criminosos que atuam em suas regiões. Essa evolução para a economia formal é facilitada pelo fato de que certos setores permitem a camuflagem de recursos gerados por atividades ilícitas. Recentemente, investigações da Polícia Federal revelaram a presença de membros ou aliados das facções em postos de combustíveis, empreendimentos imobiliários, atividades do agronegócio e empresas de entretenimento.

Esses segmentos de mercado possibilitam a mistura de receitas legítimas com os lucros oriundos do tráfico de drogas, contrabando e outros crimes. Contudo, a Polícia Federal alerta que essa incursão no setor formal acarreta um risco adicional: a transferência da violência para o ambiente empresarial. As investigações indicam que membros de organizações criminosas estão utilizando táticas de intimidação e coerção em disputas comerciais, pressionando empresários a vender seus negócios ou a se afastar de mercados específicos.

O crescimento econômico dessas facções é um fator que contribui para a sustentação de suas operações. Além disso, as organizações criminosas têm se infiltrado em atividades como distribuição de gás, transporte alternativo, fornecimento de internet clandestina e cobrança de taxas de comerciantes e moradores nas áreas que dominam. Para combater esse modelo de atuação, a Polícia Federal defende uma abordagem integrada em múltiplas frentes.

Nesse contexto, destacam-se as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), que incluem a Polícia Federal, polícias estaduais, Polícia Penal e outros órgãos de segurança. A colaboração entre essas forças tem gerado resultados significativos no enfrentamento das facções, especialmente na prisão de suas lideranças e na desarticulação de grupos que controlam territórios.

Dados de Pesquisa Datafolha, divulgados em 2025, revelam a magnitude desse problema: aproximadamente 19% da população brasileira com mais de 16 anos, o que representa cerca de 28,5 milhões de pessoas, afirmam viver em áreas dominadas ou fortemente influenciadas por facções criminosas ou milícias.

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