O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, arcou com as despesas de hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Lisboa, no final de junho de 2024. A informação foi obtida por meio de análise de material apreendido pela Polícia Federal. Os dias reservados vão de 24 a 30 de junho e as acomodações foram feitas no hotel Four Seasons.
Na comunicação com um auxiliar, Vorcaro expressou preocupação com a privacidade dos hóspedes, solicitando que fosse garantida a privatização do espaço em frente ao hotel para evitar qualquer tipo de visualização do que acontecesse no interior. Em um áudio, ele enfatizou a urgência em garantir segurança, mencionando que a cidade estaria lotada e que o local em frente ao restaurante deveria ser protegido.
"Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro", disse Vorcaro. Em outro trecho do áudio, ele afirma: "Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista."
A Polícia Federal já havia cumprido mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a Ciro Nogueira em uma etapa da Operação Compliance Zero. As investigações levantam suspeitas de que o senador, que atuou como ministro da Casa Civil durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), recebia pagamentos de Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Esses pagamentos eram inicialmente de R$ 300 mil, com indícios de que o valor teria sido elevado para R$ 500 mil posteriormente.
Além disso, a PF apura também o pagamento de despesas pessoais do senador, incluindo viagens em jatinho. Felipe Vorcaro encontra-se preso, e o Supremo Tribunal Federal (STF) está analisando se ele deve continuar detido ou ser libertado sob medidas cautelares. Na ocasião da operação, Ciro Nogueira negou qualquer participação em irregularidades.