Recife e Olinda, cidades históricas de Pernambuco, enfrentam uma ameaça silenciosa que compromete seu rico patrimônio cultural: a corrosão. Este fenômeno, intensificado pela maresia e pela umidade, está afetando igrejas centenárias, casarões e monumentos, que são essenciais para a memória cultural das duas cidades. Embora a deterioração muitas vezes passe despercebida, seus efeitos podem ser severos, manifestando-se em forma de manchas de ferrugem, fissuras e infiltrações.
Felipe Naciuk, especialista em revestimentos anticorrosivos e gerente técnico global da Powerpoxi, destaca que a corrosão é uma preocupação significativa em estruturas localizadas em regiões litorâneas, como Recife e Olinda. A combinação de maresia, umidade elevada e a presença de sais na atmosfera cria um ambiente propício para o desgaste de estruturas metálicas e de concreto. Para avaliar a situação de cada imóvel histórico, é essencial realizar inspeções técnicas específicas que identifiquem o nível de degradação e os riscos à segurança das edificações.
Além das inspeções, a população também pode desempenhar um papel importante na preservação do patrimônio. Naciuk ressalta que sinais de alerta, como ferrugem visível, bolhas na pintura e deformações nas estruturas, devem ser comunicados aos órgãos responsáveis. No entanto, o diagnóstico definitivo sobre a segurança das edificações deve ser feito por profissionais capacitados.
Para Thomas Fink, presidente do Centro Tecnológico de Corrosão Fernando Fragata, a proteção contra a corrosão é crucial não apenas para a integridade física das edificações, mas também para a preservação da identidade cultural das cidades. Preservar esses espaços históricos é fundamental para garantir que as futuras gerações possam conhecer a trajetória de Recife e Olinda.
Casos críticos em Pernambuco ilustram a gravidade da situação. O desabamento do teto do Santuário do Morro da Conceição, ocorrido em 2024, foi um exemplo alarmante, com um laudo do Instituto de Criminalística apontando a corrosão como uma das causas. O incidente resultou na morte de duas pessoas e deixou 25 feridos, evidenciando os perigos associados à falta de manutenção adequada.
Outro exemplo preocupante é o estádio José do Rego Maciel, conhecido como Arruda, onde foram identificados riscos altos e muito altos em partes da estrutura, com registros de corrosão nas armaduras e falhas em vigas de sustentação. A situação demanda atenção urgente para evitar que outros incidentes semelhantes ocorram, comprometendo a segurança e a preservação do patrimônio histórico de Pernambuco.