A Prefeitura de São Paulo alocou R$ 60 mil em infraestrutura pública para a exibição do primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, em telões instalados em frente ao Bar Tribunal, que pertence ao pentacampeão Luizão. A decisão gerou controvérsia, pois o valor foi financiado com recursos municipais, mas a origem e a justificativa do gasto não foram esclarecidas pela administração municipal.
O evento, realizado no sábado, dia 13, levou à suspensão de futuras edições da "Brasil Fest", promovidas pelo vereador Fábio Riva, do MDB, que não conseguiu justificar os custos da estrutura montada para a festividade. Apenas quatro dias após o evento, Riva protocolou uma emenda direcionando R$ 60 mil para uma ONG, valor correspondente ao gasto com a infraestrutura pela São Paulo Turismo (SPTuris). Contudo, não há previsão legal para reembolso de despesas já efetuadas.
Antes da realização do evento, Riva havia encaminhado um abaixo-assinado à subprefeitura solicitando a interdição de um quarteirão da rua Duílio, na Lapa, na zona Oeste, para promover uma “confraternização comunitária” e evitar riscos com o aumento do fluxo de pessoas e veículos durante os jogos do Brasil.
Contudo, o abaixo-assinado não foi amplamente divulgado entre os moradores da região, que tomaram conhecimento do evento apenas no dia da sua realização. O documento foi elaborado dentro do Bar Tribunal, que é associado a Luizão, embora o jogador tenha afirmado que não é sócio do estabelecimento, mas que poderia ser apresentado como dono para apoiar o bar.
Questionado sobre o evento, Luizão afirmou que não tinha informações sobre o abaixo-assinado e que deixou o bar antes do jogo começar. No dia do evento, a área interditada foi equipada com telões, um palco, estrutura para show de pagode e banheiros químicos, mas sem qualquer informação sobre quem havia custeado a montagem. A prefeitura não respondeu aos questionamentos enviados por e-mail sobre o evento.
A Casa Divil, responsável pela comunicação da prefeitura, afirmou que a análise do pedido considerou o interesse público, dado que se tratava de um evento de relevância esportiva internacional, e destacou que a circulação de pedestres na rua foi mantida. No entanto, a expectativa de novos eventos foi frustrada, pois Riva anunciou que a "Brasil Fest" não será mais realizada. O vereador justificou a decisão com o sucesso do evento e o risco de ultrapassar a capacidade de 250 pessoas, o que exigiria um alvará que a festividade não possuía.