Pesquisas recentes destacam a preservação excepcional de tecidos de um pterossauro, cuja datação indica uma idade de mais de 113 milhões de anos. O estudo, que envolveu análises avançadas de geoquímica, microscopia e tomografia 3D, revelou que bactérias oxidantes de enxofre foram fundamentais para a rápida mineralização do fóssil, garantindo uma preservação tridimensional incomum. A pesquisa contou com a colaboração de especialistas de 15 instituições internacionais, refletindo a importância da investigação em paleontologia.
O paleontólogo Alexander Kellner, que atua no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é um dos autores do estudo, ressaltou a relevância da descoberta. "A preservação desse pterossauro é extraordinária. Estamos falando de tecidos e moléculas que, em condições normais, desapareceriam em poucos dias. O fato de termos acesso a esse nível de detalhe, mais de 100 milhões de anos depois, mostra como a Bacia do Araripe é um dos sítios fossilíferos mais importantes do planeta", afirmou Kellner.
Klitin Grici, professora titular da Cátedra John Curtin e diretora fundadora do Centro de Geoquímica Orgânica e Isotópica da Austrália Ocidental na Universidade Curtin, destacou que as descobertas proporcionam uma nova perspectiva sobre a formação de fósseis. "Este fóssil é uma verdadeira cápsula do tempo — não apenas está lindamente preservado, mas, pela primeira vez, detectamos traços de esteroides em um pterossauro, fornecendo mais evidências de que essas criaturas provavelmente se alimentavam de peixes ou lulas", declarou Grici.
O professor Renan Bantim, Curador do Museu de Plácido Cidade Nuvens, onde o exemplar está armazenado, acrescentou informações sobre a espécie. "Os pterossauros eram répteis voadores que coexistiram com os dinossauros e foram os primeiros vertebrados a dominar o voo motorizado, com algumas espécies alcançando envergaduras superiores a 10 metros. O presente exemplar representa um indivíduo do grupo denominado de Anhangueridae e tinha cerca de 8 metros de abertura alar."
A colaboração entre o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Regional do Cariri (URCA) tem se mostrado frutífera ao longo dos anos, resultando em descobertas significativas. Kellner enfatizou a importância do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – INCT Paleovert, um programa apoiado pelo CNPq, que possibilita parcerias como a estabelecida com a Universidade Curtin, expandindo as fronteiras do conhecimento na pesquisa de organismos que habitaram a Terra há milhões de anos. O estudo foi publicado na revista iScience no dia 18.