A Crimeia, península do sul da Ucrânia incorporada por Vladimir Putin em 2014, anunciou estado de emergência nesta sexta-feira (26) em resposta aos recentes ataques das forças ucranianas. Os confrontos intensificaram-se na região, levando a cidade de Sebastopol, a maior da área, a instaurar um toque de recolher às 20h, além de suspender os serviços de transporte noturnos e reduzir a iluminação pública para dificultar as operações de drones da Ucrânia.
Olga, uma residente de Sebastopol, expressou sua preocupação através de mensagem de texto, relatando as dificuldades enfrentadas na vida cotidiana. Ela aluga uma antiga datcha de sua família na costa, próxima a Ialta, que representa uma significativa fonte de renda para seu ano. Olga é uma das poucas ucranianas étnicas que permaneceu na região após a anexação, que ocorreu em retaliação à derrubada do governo pró-Moscou em Kiev no início de 2014. Desde então, as relações entre a Ucrânia e a Rússia deterioraram-se ainda mais, culminando na invasão russa em 2022.
Recentemente, o governo de Volodimir Zelenski tem intensificado a guerra assimétrica contra a Rússia, com foco no sistema energético do país vizinho. Essa estratégia resultou em uma crise de combustíveis, com a escassez de gasolina afetando diversas localidades. Em resposta, o Kremlin estuda medidas para mitigar a situação, incluindo um veto à exportação de diesel, o que teria impacto direto em compradores como o Brasil. Essa situação é preocupante para Putin, cuja popularidade está em torno de 80%, mas em declínio desde o início do ano.
A dinâmica do governo de Putin, estabelecida em 1999, depende do apoio popular para legitimar seu regime diante de uma elite com interesses divergentes. Olga comentou sobre essa complexidade, afirmando que ainda apoia Putin, mas que é necessário tomar medidas efetivas. Por outro lado, As Forças Armadas da Ucrânia e a diplomacia da União Europeia alertam para a possibilidade de uma nova ofensiva contra a capital ucraniana, partindo de Belarus, ou provocações no flanco oriental da OTAN.
Enquanto isso, a situação na Crimeia continua a se agravar. Desde os tempos do Império Russo, a região tem sido um destino turístico popular para os russos devido ao seu clima ameno e praias. Embora as autoridades locais tenham alegado receber 6 milhões de turistas no ano passado, estimativas mais realistas indicam que esse número pode ser cerca da metade, considerando os impactos dos ataques. A troca de ataques aéreos entre ucranianos e russos também prossegue, com uma refinaria na região russa de Tula e uma fábrica de amônia sendo atingidas, enquanto um ataque na região de Sumi resultou na morte de uma pessoa.
Ainda assim, houve um momento de contato diplomático nesta sexta-feira, com Moscou e Kiev realizando a troca de 160 prisioneiros de guerra de cada lado. A situação na Crimeia e os desdobramentos da guerra na Ucrânia permanecem sob constante vigilância, enquanto a tensão entre os países se intensifica.