No Brasil, cada contribuinte do Imposto de Renda acorda diariamente com um saldo devedor médio de R$ 248,8 mil. Esse montante é calculado com base na dívida federal de R$ 9,033 trilhões registrada em maio, dividida pelo número de pessoas obrigadas a declarar o Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), levando em consideração a isenção para aqueles que recebem até R$ 5.000 mensais. Este grupo é considerado fundamental para a movimentação da economia brasileira.
Ao considerar a população total do país, que é de 213,4 milhões de pessoas, a dívida pública federal per capita é de R$ 42.329. A maior parte dessa dívida está concentrada no mercado interno, em títulos emitidos no Brasil, enquanto uma menor parcela se refere à dívida externa, que pode ter diferentes formas de remuneração, como taxas Selic, correções pela inflação e juros prefixados. A dívida total continua a aumentar de forma contínua, mês a mês.
Durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida pública sofreu uma elevação significativa, subindo de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro de 2023 para 80,4% em abril de 2026, representando um aumento de 8,7 pontos percentuais. Esse crescimento é resultado de emissões de títulos superiores ao valor resgatado e também da incorporação de juros ao estoque da dívida. O avanço registrado em maio foi motivado por novas emissões líquidas e pela apropriação de juros.
A atual administração tem ampliado gastos em diversos programas sociais, o que leva a um constante aumento na necessidade de arrecadação. Quando a receita obtida por meio de impostos não é suficiente para cobrir as despesas, a dívida pública se expande. Os contribuintes do Imposto de Renda são um dos grupos que mais impactam a economia nacional, com a arrecadação desse tributo representando 31,71% do total arrecadado pelo governo em 2025, a maior proporção em comparação aos demais tributos.
Se a dívida pública federal fosse dividida entre os 45,8 milhões de contribuintes do Imposto de Renda em 2025, cada um teria que arcar com R$ 197,2 mil. Este cenário representa uma queda de cerca de 10 milhões de pessoas na base de PAGADORES, o que indica que o próximo presidente, a ser eleito em outubro de 2026, enfrentará discussões desafiadoras sobre a saúde das contas públicas durante seu mandato.
O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF 113), divulgado em 25 de junho pelo órgão vinculado ao Senado, prevê que a dívida bruta do governo geral poderá alcançar 115% do PIB em 2036, um nível considerado extremamente elevado para uma economia emergente. Em 10 de junho, o presidente Lula minimizou os déficits orçamentários registrados desde o início de sua gestão, afirmando que um rombo anual equivalente a 0,20% do PIB não representa uma crise. Ele comparou a situação econômica do Brasil com a de países desenvolvidos, que possuem dívidas acima de 100% do PIB, mas que possuem economias mais robustas e infraestrutura aprimorada.