Luiz Inácio Lula da Silva, durante os 580 dias em que permaneceu detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019, concedeu 22 entrevistas a diversos veículos de comunicação, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Além disso, ele divulgou um total de 22 cartas com conteúdos de natureza política e eleitoral, conforme levantamento realizado pelo Instituto Lula.
Em maio de 2018, mesmo já preso, Lula rejeitou a possibilidade de ser substituído na corrida presidencial, afirmando: "Admitir um plano B para o PT seria assumir um crime que não cometi." Em 15 de agosto de 2018, o Partido dos Trabalhadores (PT) formalizou a candidatura de Lula à presidência, tendo Fernando Haddad como candidato a vice, mesmo enquanto ele cumpria pena.
O ex-juiz Sergio Moro revelou que, em 2018, Lula recebeu 572 visitas, sendo 21 delas de Fernando Haddad, que realizava longas entrevistas sobre os temas abordados por Lula. Esses dados têm sido utilizados pela oposição como base para questionar a aparente disparidade no tratamento entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar em Brasília.
Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu suspender as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias, após Flávio ler publicamente uma carta de Jair Bolsonaro em apoio à sua pré-candidatura à presidência. A medida gerou polêmica e comparações entre o tratamento dispensado a Lula e o de Jair Bolsonaro.
Em uma transmissão ao vivo, Flávio Bolsonaro levantou questionamentos sobre as diferenças nas condições de visitação. Ele enfatizou que Lula tinha a liberdade de conceder entrevistas e recebia visitas diárias, enquanto seu pai enfrenta restrições severas. Flávio destacou que os filhos de Jair Bolsonaro podem visitá-lo apenas às quartas e sábados, por um período de duas horas, e que as visitas estão proibidas aos domingos. Além disso, os advogados de Jair Bolsonaro têm acesso a ele uma vez por dia, com duração de 30 minutos. A carta lida na semana passada foi a quinta escrita por Jair Bolsonaro desde o início de sua prisão domiciliar.