Proposta de jornada de quatro dias semanais ganha força política, mas levanta debates sobre proteção ao emprego e viabilidade econômica.
O debate sobre o fim da jornada 6×1 e a semana de quatro dias entra na pauta eleitoral de 2026, com implicações para o emprego no Brasil.
O futuro das relações de trabalho no Brasil ganha contornos de debate central na campanha eleitoral de 2026, com a discussão sobre o fim da jornada 6×1 e a implementação de uma semana de trabalho de quatro dias. Em um país com mais de 103 milhões de pessoas ocupadas e um crescente número de trabalhadores pedindo demissão, a pauta reflete a busca por melhores condições e maior flexibilidade no mercado.
A iniciativa ganhou tração significativa com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP). A PEC visa abolir a escala 6×1 e estabelecer formalmente uma jornada de quatro dias de trabalho com três de descanso. A proposta angariou o apoio de 171 deputados, garantindo sua tramitação na Câmara e recebendo promessas do governo Lula de adoção ainda em 2026, sinalizando um possível avanço legislativo.
Impacto Político e Social da Proposta
A questão, contudo, transcende o âmbito legislativo e se consolida como tema estratégico para as eleições de 2026. Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República e figura proeminente, tem defendido publicamente a medida, enquadrando-a como uma ampliação da proteção social e uma melhoria substancial nas condições de trabalho, especialmente para categorias como a de entregadores.
Essa defesa pública eleva o debate para o centro da agenda política do governo.
Apesar do entusiasmo, a proposta carrega consigo o risco de se tornar uma “farsa na defesa do emprego”, como sugere o título original da coluna. A complexidade de sua implementação em um cenário econômico diverso e a necessidade de garantir que a mudança não resulte em perda de postos de trabalho ou precarização são pontos cruciais.
Sindicatos, empresários e especialistas debatem os impactos potenciais sobre a produtividade, os custos operacionais e a capacidade de geração de novos empregos, tornando a discussão multifacetada.
A entrada definitiva do fim da jornada 6×1 na pauta eleitoral de 2026 demonstra a crescente preocupação com a qualidade de vida do trabalhador e a adaptação do mercado às novas realidades. A discussão promete acalorados debates sobre o equilíbrio entre a proteção social e a sustentabilidade econômica, moldando o futuro das relações de trabalho no Brasil nos próximos anos.