Classificações como conservador, moderado e agressivo guiam decisões financeiras, mas especialistas alertam para a dinamicidade e a importância do contexto pessoal.
Descubra os perfis de investidor, de conservador a agressivo, e como eles moldam suas escolhas financeiras, considerando a dinâmica da vida real e a regulamentação.
Quem inicia no universo dos investimentos rapidamente se depara com termos como conservador, moderado e agressivo. Essas classificações, presentes em aplicativos bancários e relatórios de corretoras, são mais do que rótulos: surgiram como uma resposta à exigência regulatória da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
A norma determina que instituições financeiras recomendem apenas produtos adequados ao perfil de cada cliente, visando oferecer uma camada mínima de proteção ao investidor.
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) padroniza que as instituições adotem ao menos três categorias. A avaliação é feita por meio de um questionário detalhado que investiga o prazo desejado para o investimento, a tolerância a risco, os objetivos, a situação financeira (renda e patrimônio) e a experiência do cliente no mercado. Segundo Michael Viriato, assessor de investimentos, esses perfis também funcionam como uma salvaguarda jurídica para bancos e corretoras em caso de questionamentos futuros sobre perdas.
Entendendo as Classificações e Suas Nuances
O investidor conservador prioriza a segurança e liquidez, com baixa tolerância a riscos. O moderado aceita oscilações médias, buscando preservar o capital no longo prazo.
Já o agressivo demonstra maior disposição para enfrentar riscos em busca de retornos superiores. É importante notar que, mesmo que um investidor declare aversão a risco e necessidade de liquidez, ele será enquadrado no perfil mais conservador.
No entanto, a CVM permite que o investidor realize operações fora de seu perfil, desde que seja formalmente alertado sobre os riscos e assine uma declaração de ciência.
Especialistas, como o planejador financeiro Carlos Castro, da Planejar, argumentam que a divisão rígida em três perfis é limitada. O investidor não “é” conservador, mas “está” em um determinado estado, conforme o contexto.
A capacidade de assumir riscos difere da disposição, e fatores como filhos pequenos, casamento, dependência financeira ou a proximidade da aposentadoria podem reduzir a capacidade real de suportar perdas, mesmo para quem tem alta predisposição. O perfil, portanto, muda com os objetivos e as circunstâncias da vida, como alterações na renda ou na carreira.
Para Castro, o perfil deveria ser atribuído à carteira de investimentos, e não à pessoa. Um mesmo investidor pode ter aplicações mais arriscadas para metas de longo prazo e manter uma reserva de emergência em produtos conservadores.
A diferença entre renda fixa e variável reside na previsibilidade: a primeira oferece retornos mais estáveis, enquanto a segunda envolve oscilações. Independentemente do perfil, a diversificação é uma estratégia crucial para navegar pelos ciclos econômicos.
Viriato sugere que o conceito de conservadorismo seja revisto, pois um investimento de longo prazo pode oscilar no curto prazo e ainda ser a forma mais conservadora de atingir um objetivo.
Para quem está começando, a recomendação é iniciar com investimentos conhecidos e, gradualmente, buscar informações para expandir o repertório. É fundamental priorizar conteúdos de instituições independentes, como CVM e Anbima, antes de seguir influenciadores ou orientações de terceiros.
O aprendizado no mercado financeiro, conforme Viriato, é uma combinação de estudo e prática, sendo a vivência das oscilações de mercado o que realmente ensina o investidor a lidar com seu próprio perfil.