Em encontro com premiê finlandês, líder chinês defende sistema multilateral centrado nas Nações Unidas, enquanto Washington propõe novo 'Conselho da Paz'.
Xi Jinping, presidente da China, reforça apoio à ONU e critica iniciativa dos EUA de criar um 'Conselho da Paz', defendendo multilateralismo com Finlândia.
Pequim, China – O presidente da China, Xi Jinping, reafirmou nesta terça-feira o compromisso de seu país com a Organização das Nações Unidas (ONU) e expressou o desejo de que Pequim e Helsinque trabalhem em conjunto para defender uma ordem mundial baseada na instituição internacional. A declaração foi feita durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, em Pequim.
“A China está disposta a trabalhar com a Finlândia para apoiar firmemente o sistema internacional do qual as Nações Unidas são o pilar”, afirmou Xi Jinping. A postura chinesa surge em um contexto de crescente competição geopolítica, especialmente diante da iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar uma nova instituição multilateral, o chamado “Conselho da Paz”, vista por muitos como uma possível alternativa ou rival à ONU.
Desafios Geopolíticos e Alianças Estratégicas
Apesar do convite dos EUA para participar do “Conselho da Paz”, focado na resolução de conflitos globais, Pequim ainda não confirmou sua adesão. A China tem intensificado seus esforços diplomáticos para fortalecer o papel da ONU, como demonstrado pelo apelo semelhante feito ao Brasil na semana passada, quando Xi Jinping conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a importância do “papel central” das Nações Unidas.
Durante o encontro com Orpo, temas internacionais e a cooperação bilateral estiveram na pauta. Contudo, China e Finlândia mantêm divergências em questões sensíveis.
A invasão russa da Ucrânia é um ponto de discórdia, com o ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, acusando a China de financiar “massivamente o esforço de guerra da Rússia” em novembro passado.
Outro ponto de tensão é a disputa de influência entre grandes potências na região do Ártico. Um mês antes das acusações finlandesas, Donald Trump havia anunciado um projeto conjunto com a Finlândia para a construção de 11 navios quebra-gelo, sinalizando o reforço da presença dos Estados Unidos na região, onde Washington compete com Rússia e China.
A reafirmação do apoio à ONU por parte de Xi Jinping, portanto, insere-se em uma estratégia mais ampla da China para defender o multilateralismo existente e contrabalancear iniciativas que poderiam minar a arquitetura global que Pequim busca influenciar.