Na quinta-feira, 23, os Estados Unidos anunciaram a imposição de tarifas que variam entre 10% e 12,5% a 59 países e à União Europeia. A decisão, tomada sob a administração de Donald Trump, foi amplamente criticada por diversas nações, que consideram as taxas injustificadas. O governo dos EUA fundamentou a aplicação das tarifas na suposta ineficácia dos países em combater o trabalho escravo.
A China se manifestou contra a decisão, afirmando que a imposição das tarifas prejudica a economia global e não atende aos interesses de nenhuma das nações envolvidas. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou que a oposição a medidas tarifárias unilaterais é uma posição firme do país. "Guerras tarifárias e guerras comerciais não atendem aos interesses de nenhuma das partes", alertou ele sobre a taxa de 12,5% imposta pelos EUA.
O Japão, tradicional aliado dos Estados Unidos, também expressou sua desaprovação em relação à nova política tarifária, classificando-a como "lamentável". Don Farrell, ministro do Comércio da Austrália, que recebeu uma das alíquotas mais altas de 12,5%, declarou que as tarifas são injustificadas e inconsistentes com o acordo de livre comércio existente entre os países.
O ministro das Relações Exteriores de Singapura, Vivian Balakrishnan, também criticou a medida, afirmando que não há justificativas técnicas ou econômicas para a imposição dessas tarifas. Por outro lado, a União Europeia adotou uma postura mais cautelosa, ressaltando que a cobrança de tarifas pelos EUA está em conformidade com os compromissos tarifários estabelecidos na Declaração Conjunta entre UE e EUA, uma vez que a alíquota aplicada foi de 10%.
Na véspera do anúncio, o Brasil já havia reprovado a imposição de 12,5% feita pelos EUA. O governo brasileiro argumentou que, na falta de uma base legal interna para justificar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular um tema sensível relacionado aos direitos humanos e à proteção dos trabalhadores, um assunto que será levado à OMC (Organização Mundial do Comércio).
As novas tarifas representam uma estratégia dos EUA para compensar a perda de arrecadação decorrente do fim da cobrança de 10% que estava em vigor desde fevereiro, e que se encerrará na próxima sexta-feira. Essa decisão foi impulsionada por um veto da Suprema Corte, que inviabilizou o uso de uma lei de 1977 para estabelecer impostos de importação sobre diversos países, uma prática que estava em vigor desde abril de 2025.