O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou um pedido contundente à Justiça: a cassação dos diplomas e a inelegibilidade por oito anos do prefeito reeleito de Afogados da Ingazeira, Alessandro Palmeira, de seu vice, Daniel Valadares, e do ex-secretário de finanças, Jandyson Henrique. O motivo é a investigação que aponta abuso de poder político, econômico e o famoso “caixa dois” no caso Jandyson Henrique.
O flagrante da mochila
O caso ganhou força na antevéspera da eleição de 2024. Jandyson Henrique, que na época era o Secretário de Finanças do município e também o coordenador financeiro da campanha, foi preso pela Polícia Federal com uma mochila recheada. Dentro dela, os policiais encontraram R$ 35 mil em espécie, além de notas fiscais e 135 tickets de combustível que, somados, autorizavam gastos de mais de R$ 240 mil.
Para o Ministério Público, os números não batem. Antes da prisão, a prestação de contas oficial da campanha registrava apenas R$ 600,00 gastos com combustível. Após a intervenção policial, houve uma correria para emitir notas fiscais, o que o MPE classifica como uma tentativa desesperada de “legalizar” o que estava sendo escondido.
Dinheiro público e privado misturados
Um dos pontos mais graves apontados pela promotora Carolina Gurgel Lima é a chamada “simbiose ilícita”. Jandyson ocupava cargos estratégicos na prefeitura e na campanha ao mesmo tempo. Documentos mostram que ele assinava autorizações de abastecimento tanto para a frota municipal quanto para veículos de campanha, muitas vezes de próprio punho.
Um exemplo curioso citado no processo foi o abastecimento de um caminhão-pipa da Codevasf — destinado a levar água para quem precisa — com recursos que deveriam ser da campanha eleitoral. O MP sustenta que essa confusão entre o patrimônio público e o interesse do candidato destrói a igualdade entre os concorrentes.
A defesa e o “costume da região”
Por Nill Junior