Estudo do Ministério da Justiça aponta que maioria dos crimes ocorre dentro de casa, com agressores próximos e afeta principalmente mulheres negras e jovens adultas.
Pesquisa do Ministério da Justiça revela que a maioria dos feminicídios no Brasil ocorre dentro de casa, por agressores próximos, afetando mulheres negras e jovens.
Uma pesquisa recente divulgada pelo Ministério da Justiça do Brasil lança luz sobre o alarmante perfil dos feminicídios no país, revelando que a maioria desses crimes hediondos ocorre dentro do ambiente considerado o mais seguro: o lar das vítimas. O levantamento aponta que quase 65% dos feminicídios são perpetrados nas residências das mulheres, evidenciando a profunda relação entre a violência letal e o contexto doméstico e familiar.
Os dados da pesquisa sublinham que, na vasta maioria dos casos, o agressor é alguém com laços afetivos ou familiares com a vítima, como companheiros ou ex-companheiros. Essa proximidade com o perpetrador intensifica a vulnerabilidade das mulheres, dificultando muitas vezes a denúncia e a busca por ajuda. Em relação aos métodos utilizados, 48% das mortes foram causadas por arma branca, enquanto 23% envolveram arma de fogo, indicando uma diversidade de meios empregados na violência fatal.
Perfil das Vítimas e a Urgência de Ações
A análise demográfica da pesquisa revela um recorte preocupante: 64% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras. Além disso, a faixa etária mais afetada compreende mulheres entre 18 e 44 anos, que correspondem a 70% do total de óbitos.
Esses números expõem as camadas de vulnerabilidade que se somam, como raça e idade, e reforçam a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades e interseccionalidades da violência de gênero.
Os resultados da pesquisa do Ministério da Justiça servem como um alerta contundente para a sociedade e para as autoridades sobre a persistência e a gravidade do feminicídio. A concentração dos crimes no ambiente doméstico e o perfil das vítimas exigem uma abordagem multifacetada, que inclua desde a prevenção e educação, o fortalecimento de redes de apoio e proteção, até a rigorosa aplicação da lei contra os agressores.
A compreensão do contexto e das características desses crimes é fundamental para a construção de estratégias eficazes de combate e erradicação da violência contra a mulher no Brasil.