Prefeita Mirella Almeida enfrenta número recorde de solicitações em pouco mais de um ano de mandato, todas derrubadas por unanimidade na Câmara.
Em Olinda, prefeita Mirella Almeida enfrenta e derruba sete pedidos de impeachment em um ano, gerando debate sobre a banalização do instrumento político.
A prefeita de Olinda, Mirella Almeida, protagoniza um cenário político sem precedentes em Pernambuco, ao enfrentar sete pedidos de impeachment em apenas um ano e poucos meses de mandato. A situação, que já viu um pedido ser derrubado em 2025, culminou com a rejeição unânime de outros seis pela Câmara Municipal nesta quinta-feira.
As acusações variavam desde a suposta apresentação de uma prestação de contas fictícia do carnaval de 2025 até problemas com a coleta de lixo, denúncias que, segundo os próprios vereadores, careciam de fundamento.
A frequência e a natureza das solicitações têm levantado questionamentos sobre a utilização do instituto do impeachment na cidade histórica. Conforme o líder do Governo na Câmara, Jesuíno Araújo, há uma clara “banalização” do mecanismo constitucional, originalmente concebido como defesa da sociedade contra abusos de poder. A prova mais contundente dessa percepção é o fato de que a própria oposição tem votado contra os pedidos, indicando a falta de substância nas acusações.
A Prefeita e a Reação Política
Mirella Almeida expressou seu “desconforto” com os episódios repetidos, precisando interromper seus preparativos para o carnaval da cidade para atender à imprensa. A prefeita ressaltou que até a procuradoria da Câmara Municipal tem emitido pareceres contrários aos pedidos, confirmando a ausência de base legal para as solicitações.
A composição da Câmara, com apenas dois dos dezessete vereadores alinhados ao partido da prefeita, e o restante na oposição ou em um bloco “independente”, reforça a ideia de que, se houvesse fundamentos, a aprovação seria provável.
Os pedidos de impedimento ganham contornos políticos claros ao se observar suas origens. Cinco das sete solicitações partiram do advogado Antonio Campos, um dos candidatos derrotados pela prefeita na eleição de 2024.
Os outros dois, segundo um assessor de Mirella, teriam sido assinados por “prepostos do próprio advogado”, sugerindo uma articulação coordenada com motivações eleitorais.
Este cenário singular em Olinda não apenas sobrecarrega o trabalho legislativo, mas também desvia o foco das questões administrativas cruciais para a cidade. A unanimidade nas rejeições dos pedidos de impeachment, mesmo em uma Câmara majoritariamente oposicionista, sublinha a fragilidade das acusações e a preocupação crescente com o uso indevido de um instrumento sério da democracia.
A continuidade dessa prática pode erodir a credibilidade das instituições e a confiança pública nos processos democráticos locais.