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Bancos brasileiros elevam provisões em resposta à inadimplência crescente

Os principais bancos do Brasil, incluindo Itaú Unibanco e Santander, aumentaram suas provisões contra calotes, preparando-se para um cenário econômico desafiador. A inadimplência no...

Os quatro maiores bancos brasileiros, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, intensificaram suas provisões contra calotes ao longo de 2026, adotando uma postura defensiva diante da deterioração da qualidade do crédito no país. No primeiro trimestre, essas instituições somaram R$ 44,8 bilhões em despesas referentes a provisões para perdas de crédito, o que representa um aumento de 33% em comparação ao mesmo período de 2025.

Em maio, a inadimplência no crédito ao consumidor alcançou 5,6% e manteve-se nesse patamar em junho, conforme dados do Banco Central. Esses índices superam os níveis observados durante a recessão de 2015 e 2016, além dos registrados durante a pandemia de Covid-19. O analista do Citigroup, Gustavo Schroden, apontou que as projeções não são otimistas, prevendo que os números podem piorar até 2027.

O balanço do segundo trimestre reforçou o quadro de deterioração, revelando variações significativas entre os bancos. No Santander, as provisões para perdas atingiram R$ 7,65 bilhões, uma alta de 11,5% em relação ao ano anterior, pressionadas por spreads menores que os esperados. Para o Banco do Brasil, o problema se expandiu do agronegócio, que era o foco inicial das perdas, para as carteiras de pessoas físicas e de pequenas e médias empresas. Por outro lado, o Itaú conseguiu manter os atrasos sob controle, apresentando o menor índice de inadimplência entre os bancos analisados.

Durante uma teleconferência com analistas, o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, descreveu o cenário do setor como desafiador. Ele enfatizou a preferência por abrir mão de crescimento e participação de mercado, em vez de aumentar o risco nas operações do banco.

O endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,9% em fevereiro, um recorde desde o início da série histórica em 2005, igualando o pico observado em julho de 2022. Além disso, o índice de provisões sobre o total da carteira de crédito do sistema financeiro aumentou para 8% em maio, em comparação a 7,2% um ano antes, indicando um fortalecimento dos colchões de proteção por parte das instituições financeiras diante do cenário adverso.

Além dos desafios internos, o setor bancário também precisa observar fatores externos, como os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo e a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, que encarece o crédito e diminui a capacidade de pagamento de famílias e empresas.

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