O governo brasileiro recebeu, nesta sexta-feira (21), a confirmação da Venezuela sobre a concessão do agrément ao diplomata Guilherme de Aguiar Patriota, escolhido para liderar a embaixada do Brasil em Caracas. A informação foi divulgada pelo Itamaraty, que também anunciou que o novo embaixador passará por uma sabatina no Senado, embora ainda não tenha sido definida uma data para a realização desse processo.
Guilherme de Aguiar Patriota substituirá Glivânia Maria de Oliveira, atual embaixadora brasileira no país. Glivânia é uma das poucas mulheres a chefiar uma embaixada brasileira na América do Sul, em um total de 11 postos diplomáticos. O novo embaixador tem uma longa trajetória no serviço diplomático, tendo ingressado na carreira em 1983.
O perfil de Guilherme no site do Itamaraty revela que ele atuou na missão do Brasil junto à OEA, em Washington, em 1990. Posteriormente, foi delegado do Brasil em iniciativas como o Mercosul e a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) em 1994. Seu histórico inclui ainda uma passagem pela embaixada em Wellington, na Nova Zelândia, em 1997, e funções de assessor de política externa durante o governo de Dilma Rousseff, de 2010 a 2013.
Mais recentemente, entre 2019 e o presente, Patriota exerceu a função de cônsul-geral do Brasil em Mumbai e, em seguida, em Tóquio. Apesar da relevância do cargo em um país vizinho com um cenário político e humanitário desafiador, Caracas é classificada como um posto D na escala do Itamaraty, indicando um nível de representação mais baixo em relação a cidades como Washington, Paris e Tóquio.
Essa classificação não diminui a importância da missão diplomática, mas reflete os desafios políticos e estruturais enfrentados pelos representantes brasileiros. Além de Caracas, outras capitais como Cabul, Kinshasa e Porto Príncipe também são categorizadas como de nível D.
A situação política na Venezuela é complexa. Após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do líder Nicolás Maduro em janeiro deste ano, o governo brasileiro reconheceu Delcy Rodríguez, vice de Maduro, como a líder interina do país. Glivânia Maria de Oliveira esteve presente na posse de Delcy, reforçando o compromisso do Brasil em buscar estabilidade em meio à crise política na região.