O conceito de 'nem-NEMISMO' representa uma armadilha intelectual que pode comprometer a IMPRENSA e o jornalismo no Brasil. Esse termo, embora irônico, remete a uma visão distorcida que sugere que, em situações complexas, a escolha do mal menor é inaceitável, levando à paralisia decisória. A crítica se estende à incapacidade de muitos em reconhecer que, diante de dilemas éticos ou políticos, é necessário fazer escolhas, mesmo que elas não sejam ideais.
A reflexão sobre essa temática pode ser enriquecida pela leitura da trilogia "Os Caminhos da Liberdade", escrita por Jean-Paul Sartre. As obras, que incluem "A Idade da Razão" (1945), "Sursis" (1947) e "Com a Morte na Alma" (1949), abordam os dilemas enfrentados durante a guerra. Sartre, em sua trajetória, optou pelo engajamento antinazista sem se submeter às diretrizes do Partido Comunista ou da União Soviética. Sua filiação ao PC Francês, em 1952, é um ponto que merece atenção, mas a análise deve se concentrar nas lições que essa trilogia oferece sobre a responsabilidade moral e as escolhas em tempos de crise.
No contexto atual, a polarização política se intensifica, especialmente entre figuras como Lula e Flávio Bolsonaro. Essa divisão não deve ser vista como uma disputa entre polos igualmente válidos. O papel de um chefe de Estado é, antes de tudo, proteger os interesses da nação. Nesse sentido, a soberania se torna a única opção moral aceitável. Engajar-se em uma análise que considera ambos os lados como equivalentes é um erro que pode levar ao entreguismo, que é muito mais do que um simples equívoco; é uma troca de valores que compromete a autonomia do país.
A expressão "candidato nem-nem" foi criada em um tom irônico, inspirada no semiólogo francês Roland Barthes. Contudo, a adoção desse conceito por alguns analistas e políticos revela uma confusão preocupante, onde a ideia de uma neutralidade não polarizada é apresentada como uma alternativa válida. Essa visão é, na verdade, um retrocesso que desvirtua a capacidade de discernir entre o que é moralmente aceitável e o que é prejudicial.
A hora de reconsiderar as escolhas éticas e políticas é agora. A resistência ao 'nem-NEMISMO' é essencial para evitar que a IMPRENSA e o jornalismo se tornem reféns de uma inércia intelectual. Em tempos de incerteza, a clareza sobre o que se defende e o que se rejeita é fundamental para a sobrevivência da liberdade e da democracia no Brasil. O desafio é fazer escolhas que, mesmo imperfeitas, conduzam a um futuro mais soberano e justo.