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Investigação sobre uso de R$ 5 milhões em evento no Anhangabaú é solicitada por vereador

O vereador Nabil Bonduki pediu ao MPSP que apure possíveis irregularidades na realização do Fan Zone Anhangabaú, evento custeado pela Prefeitura de São Paulo....

O vereador Nabil Bonduki, do Partido dos Trabalhadores (PT), protocolou um pedido de investigação junto ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) para apurar possíveis irregularidades na realização do Fan Zone Anhangabaú. Este evento, que ocorreu no centro de São Paulo e contou com shows e transmissões de jogos da Copa do Mundo, foi custeado com um contrato de R$ 5 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, com a empresa Now Sports, sem licitação.

Bonduki destacou que a situação se torna ainda mais delicada pelo fato de o evento ter ocorrido no Vale do Anhangabaú, um espaço público que foi concedido à iniciativa privada. Parte do orçamento do projeto foi destinada ao pagamento da concessionária pela utilização do espaço, o que gera preocupações sobre a legalidade da contratação.

O contrato com a Now Sports foi assinado apenas dois dias antes do início do evento, o que levanta suspeitas de que a estrutura do Fan Zone pode ter sido montada antes da formalização do acordo. Além disso, a justificativa para a escolha da empresa, que se baseou em um licenciamento da CazéTV para a exibição dos jogos, é questionada por falta de evidências que comprovem que somente a Now Sports poderia realizar este trabalho.

Embora o plano de trabalho tenha estipulado que o evento seria financiado exclusivamente com recursos públicos, a empresa Binance atuou como patrocinadora, realizando ativações comerciais e captando clientes. O pedido de apuração aponta que a Now Sports pode ter obtido lucros por meio de patrocínios privados, enquanto os custos do evento foram totalmente cobertos pelo município, sem que houvesse a devida contrapartida.

O evento destinou R$ 700 mil ao pagamento da concessionária Viva o Vale pela locação do espaço público, representando 14% do custo total do projeto. O vereador Nabil Bonduki solicitou que o MPSP esclareça detalhes sobre a área ocupada, o número de dias cobrados, a tarifa contratual, os serviços incluídos, e se houve descontos para eventos de interesse público.

Além disso, o vereador questionou se o município pagou pela ocupação do espaço público e observou que, apesar da expectativa inicial de receber cerca de 500 mil pessoas, o evento foi considerado esvaziado na maioria dos dias. Outro ponto levantado foi a coleta excessiva de dados pessoais dos cidadãos, que pode ter violado a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), afetando inclusive menores entre 11 e 17 anos.

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