Clube e técnico se recusam a participar de compromissos com a imprensa em solidariedade ao astro português, que alega tratamento desigual na liga.
Al Nassr e técnico Jorge Jesus boicotam a Liga Saudita em apoio a Cristiano Ronaldo, que protesta contra suposto tratamento desigual e favorecimento ao Al Hilal.
O Al Nassr, clube saudita, e seu técnico Jorge Jesus uniram-se a Cristiano Ronaldo em um boicote à imprensa e aos compromissos da Liga Saudita. A atitude, que se repetiu após a vitória por 2 a 0 sobre o Al Ittihad na última sexta-feira, demonstra um claro alinhamento com o astro português, que manifestou publicamente sua insatisfação com a gestão do campeonato.
A medida de protesto tem sido abrangente. Jorge Jesus tem se recusado a participar das coletivas de imprensa pós-jogo e pré-jogo, enquanto os jogadores têm evitado a zona mista.
Cristiano Ronaldo, por sua vez, estendeu o boicote ao ficar de fora dos últimos dois jogos consecutivos, aprofundando o impasse com os organizadores da liga.
O cerne do descontentamento de Ronaldo reside na percepção de um tratamento desigual por parte do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF). O jogador acredita que o Al Nassr tem sido sistematicamente prejudicado em comparação com o Al Hilal, especialmente evidenciado na última janela de transferências.
Enquanto o Al Hilal investiu cerca de 100 milhões de euros em reforços de peso como Karim Benzema, o Al Nassr contratou apenas dois jogadores sem grande impacto financeiro ou esportivo.
Em resposta, a Liga Saudita emitiu um comunicado à imprensa internacional. Nele, os dirigentes afirmam que, embora reconheçam a relevância de Cristiano Ronaldo para a valorização do campeonato, nenhum atleta está acima dos interesses coletivos do país. A nota ressaltou que as decisões de transferência são internas de cada clube e tomadas dentro de parâmetros financeiros aprovados, refutando a ideia de favorecimento.
Futuro Incerto de Cristiano Ronaldo
A duração do protesto de Ronaldo e seu futuro no futebol saudita permanecem incertos. Fontes do Al Nassr, citadas pelo portal The Athletic, descrevem o próximo passo do atacante como “totalmente imprevisível”.
Apesar de ter renovado contrato com o clube até junho de 2027, com uma cláusula de rescisão avaliada em 50 milhões de euros, a continuidade do camisa 7 no Oriente Médio não é garantida, e uma saída ao fim da temporada já começa a ser cogitada nos bastidores. O acordo inicial visava consolidá-lo como embaixador e permitir a busca pelo milésimo gol, mas a atual tensão pode alterar drasticamente esses planos.