Alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (14/1), o empresário Fabiano Zettel também está na mira da CPMI do INSS no Congresso Nacional. No início de dezembro, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou um pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal da empresa Moriah Asset, da qual Zettel é CEO.
“Com o aprofundamento das investigações realizadas por este colegiado, bem como diante da indicação da Controladoria-Geral da União de que diversas empresas estariam sendo utilizadas para clarear recursos desviados da Farra do INSS, a presente quebra de sigilo busca identificar possíveis favorecimentos indevidos, recebimento de vantagens econômicas ou outras práticas potencialmente ilícitas”, afirmou o parlamentar na justificativa para o requerimento.
A Moriah Asset se descreve como uma empresa que atua no mercado de saúde e bem-estar (wellness). “Apoiamos os fundadores com visão e energia, oferecendo mais do que recursos financeiros: entregamos estratégia, rede e estrutura para escalar”, diz o site oficial da companhia.
No Instagram, onde mantém um perfil privado com quase 18 mil seguidores, Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, se identifica como “liderança estratégica em saúde, negócios e impacto social”. Ele ainda atua como pastor da igreja evangélica Lagoinha Belvedere, de Belo Horizonte.
“Na CPMI do INSS, revelei as conexões entre igrejas, pastores e o bolsonarismo, com ramificações no INSS. Hoje, a PF prendeu Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, citado em investigações que envolvem o Banco Master”, afirmou o deputado Rogério Correia nas redes sociais.
Nesta quarta-feira (14/1), Fabiano Zettel foi detido no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, no momento em que se preparava para embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi detido para o cumprimento de mandado de busca e apreensão, mas liberado posteriormente.
Doador de Tarcísio e Bolsonaro
Fabiano Zettel foi o maior doador de campanha, entre pessoas físicas, do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha eleitoral de 2022.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele repassou R$ 3 milhões para a campanha de Bolsonaro. Já para Tarcísio, a doação foi de R$ 2 milhões. O investigado só doou menos que diretórios dos partidos das coligações das campanhas.
Em nota, a assessoria do governo paulista informou que a campanha de Tarcísio de Freitas contou com mais de 600 doadores e foi conduzida “com total respeito às leis eleitorais”.
“O governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado, bem como conhecimento prévio sobre possíveis condutas que não dizem respeito à campanha. Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela justiça eleitoral”, diz a nota.
Além de Tarcísio e Bolsonaro, Fabiano Zettel também doou R$ 10 mil para a campanha de Lucas de Vasconcelos Gonzales, candidato a deputado federal por Minas Gerais pelo partido Novo. Ele não foi eleito.
O Metrópoles busca contato com a defesa de Zettel. O espaço segue aberto para manifestação.