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Assassino de ex-premiê japonês Shinzo Abe é condenado à prisão perpétua

Tetsuya Yamagami foi sentenciado por crime que chocou o Japão e expôs laços políticos com a Igreja da Unificação.

Tetsuya Yamagami foi condenado à prisão perpétua no Japão pelo assassinato de Shinzo Abe, um crime que revelou profundas conexões políticas e religiosas.

O Japão sentenciou Tetsuya Yamagami, de 45 anos, à prisão perpétua nesta terça-feira pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe. O crime, que chocou a nação, ocorreu em julho de 2022, quando Yamagami atacou o líder político com uma arma caseira durante um comício eleitoral na cidade de Nara, aproximadamente dois anos após Abe ter deixado o cargo.

A decisão foi proferida pelo juiz Shinichi Tanaka no tribunal de Nara, marcando o desfecho de um caso de repercussão internacional e profundas implicações domésticas.

Yamagami confessou o assassinato desde o início do julgamento, em outubro. A promotoria havia solicitado a pena máxima de prisão perpétua, argumentando que o crime era “sem precedentes no Japão do pós-guerra” e teve consequências devastadoras para a sociedade japonesa, conhecida por seus baixíssimos índices de violência armada. Embora a prisão perpétua no Japão preveja a possibilidade de liberdade condicional, especialistas indicam que muitos condenados acabam cumprindo a totalidade da pena sob custódia.

O Motivo e a Igreja da Unificação

O assassinato trouxe à tona o complexo motivo de Yamagami: seu profundo ressentimento contra a Igreja da Unificação, também conhecida como Moonies. Ele alegou ter alvejado Abe devido aos supostos laços do ex-premiê com a organização religiosa.

Sua mãe, segundo investigações, doou cerca de 100 milhões de ienes (aproximadamente 630 mil euros) à igreja, levando a família à ruína financeira e contribuindo para uma série de tragédias pessoais, incluindo o suicídio do pai e de um irmão, além de sua própria tentativa de suicídio em 2005.

A Igreja da Unificação, fundada em 1954 na Coreia do Sul, passou a ser alvo de intenso escrutínio após o crime. Acusações de pressionar financeiramente seus fiéis e manter relações estreitas com políticos japoneses vieram à tona.

Abe, de fato, havia participado de eventos organizados por entidades ligadas à igreja, o que Yamagami acreditava que daria visibilidade à sua causa ao atacar uma figura tão proeminente.

As investigações subsequentes revelaram extensas ligações entre a Igreja da Unificação e membros do Partido Liberal Democrático (PLD), a legenda de Abe. Este escândalo resultou na renúncia de quatro ministros e um levantamento interno do partido indicou que cerca de metade dos parlamentares tinha algum tipo de vínculo com a organização.

Em abril de 2025, um tribunal determinou a dissolução da filial japonesa da Igreja da Unificação, citando “danos sem precedentes à sociedade”.

Além das questões religiosas e políticas, o caso também expôs graves falhas na segurança do ex-primeiro-ministro, com agentes de segurança não reagindo imediatamente ao primeiro disparo. Em resposta, o Japão endureceu sua legislação sobre armas em 2024, criminalizando a disseminação de instruções para fabricação ou venda de armamentos nas redes sociais, em um esforço para prevenir futuros incidentes trágicos.

A condenação de Yamagami encerra um capítulo legal, mas o legado do assassinato de Shinzo Abe continua a moldar o debate público e as políticas no Japão.

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