Investidores da China estão se deslocando para Hong Kong para abrir contas bancárias e de corretoras de forma presencial, numa tentativa de continuar suas atividades de negociação de ações no exterior. Esta movimentação surge em resposta a uma crescente fiscalização das atividades de investimento transfronteiriças, com os reguladores de ambos os lados intensificando esforços para limitar operações não autorizadas.
Na quarta-feira, 3 de junho de 2026, uma multidão de investidores da China esteve presente em frente às corretoras Chief Securities e uSMART Securities, localizadas na estação de trem de alta velocidade West Kowloon, em Hong Kong. Muitos dos visitantes portavam apenas carteiras de identidade da China continental, mas foram informados de que poderiam abrir contas para negociar ações tanto de Hong Kong quanto dos Estados Unidos, desde que apresentassem a documentação necessária.
Esse movimento ocorreu após uma ação regulatória coordenada, que teve início em 22 de maio, quando a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, junto a outras sete agências governamentais, anunciou um plano abrangente para a retificação de negócios ilegais relacionados a Valores Mobiliários, futuros e fundos que operam de forma transfronteiriça.
Simultaneamente, a Comissão de Valores Mobiliários e Futuros de Hong Kong e a Autoridade Monetária de Hong Kong atualizaram suas regras para clientes da China que desejam abrir contas de investimento na cidade. Essa medida visa reduzir a zona cinzenta relacionada às negociações offshore e aumentar a legalidade das operações financeiras.
As autoridades de Pequim têm como objetivo eliminar as operações financeiras online ilegais em um prazo de dois anos. Os clientes da China que já possuem contas em plataformas offshore estarão limitados a vender ativos e retirar fundos, enquanto os sites, aplicativos de negociação e servidores locais dessas plataformas serão desativados gradativamente. As novas diretrizes de Hong Kong, porém, não estabelecem uma proibição total para que investidores chineses abram contas, mas impõem a responsabilidade legal para aqueles que não comprovarem a origem legítima de seus fundos.
Os residentes da China continental ainda enfrentam rígidos controles de capital, que incluem uma cota anual de câmbio de US$ 50.000 por pessoa. Essa restrição, conforme as normas da Administração Estatal de Câmbio, destina-se a consumo pessoal e não pode ser utilizada para transações de conta de capital, como aquisição de imóveis no exterior, seguros de vida ou títulos.