Um soldado do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul está sendo investigado após a denúncia feita por sua então companheira, que o acusou de levar prostitutas para o quartel. A mulher, que estava em um relacionamento com o militar há sete anos, tomou a iniciativa de reportar a situação após encontrar o celular dele em uma viatura e decidir entregá-lo à corporação.
O artigo 235 do Código Penal Militar considera crime a prática de ato libidinoso em locais sujeitos à administração militar. As penalidades podem variar de seis meses a um ano de detenção. A denúncia, realizada pela companheira do soldado, deu início ao inquérito policial militar, que busca esclarecer os fatos mencionados.
Em seu depoimento, a mulher relatou que já suspeitava de um possível envolvimento do companheiro com outras mulheres, chegando a fazer vigilância em frente ao quartel para confirmar suas desconfianças. Apesar da traição, ela mencionou que teve dificuldade em tomar a decisão de denunciá-lo, pois ainda nutria sentimentos por ele.
A descoberta do celular ocorreu em agosto de 2022, quando a mulher se dirigiu à viatura do militar com a intenção de deixar um bilhete para os colegas dele, alertando sobre o comportamento do soldado. Ao abrir a viatura, encontrou o celular e suspeitou que o aparelho poderia ser um “fake” do bombeiro. A partir desse acesso, foram extraídos arquivos que revelam negociações de encontros com diversas profissionais do sexo.
As mensagens indicam que o militar estava ciente de que os encontros ocorriam nas dependências do batalhão e não escondia sua profissão nas conversas. Em resposta à investigação, a defesa de Gilberto Hoffmann, o militar envolvido, contestou a legalidade da apreensão do celular e afirmou que o conteúdo foi acessado sem autorização judicial.
Na petição que busca reverter a condenação, a defesa questiona a validade das provas apresentadas, incluindo a forma como a então esposa do militar obteve acesso ao celular e a falta de detalhamentos sobre as 29 ocasiões em que ele teria cometido atos libidinosos dentro da unidade militar.