O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou-se nesta terça-feira (7) em resposta a declarações do líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai. O petista insinuou que Alcolumbre se tornaria um "inimigo dos trabalhadores" caso a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1 não fosse enviada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até a próxima semana.
Uczai, durante sua fala, deixou claro que, se a proposta não avançar, a bancada petista o considerará um adversário. A declaração de Uczai provocou uma reação imediata de Alcolumbre, que por meio de uma nota afirmou que "esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado". O senador ressaltou que a decisão sobre a agenda legislativa é uma prerrogativa do presidente da Casa e enfatizou que não se submeterá a pressões políticas.
Alcolumbre também afirmou que "quem realmente pretende contribuir para o avanço da PEC respeita o devido processo legislativo". Ele criticou a prática de ameaças e constrangimentos institucionais, argumentando que essas ações não aceleram a tramitação da proposta, mas sim afrontam a independência dos Poderes.
O presidente do Senado expressou, em conversas reservadas, sua insatisfação com o que considera ataques oriundos do governo Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, que visam pressioná-lo para que a PEC seja votada. Apesar de a proposta ter chegado ao Senado no final de maio, ela ainda não foi encaminhada para a CCJ, e o relator da matéria também não foi designado.
De acordo com informações de pessoas próximas a Alcolumbre, ele aguarda uma conversa com o presidente Lula. Os dois não se comunicam pessoalmente desde que, em abril, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para a vaga de advogado-geral da União no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, dados recentes indicam que Lula possui 24% de eleitores à direita, enquanto Flávio Bolsonaro conta com 19% à esquerda, conforme levantamento do Datafolha.