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Consignado privado vira negócio para bancos, mas empresas sentem o impacto da perda de poder aquisitivo dos funcionários no final do mês

Lançado para oferecer crédito mais barato, o programa de empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada vê juros dispararem e gera novas preocupações para...

Lançado para oferecer crédito mais barato, o programa de empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada vê juros dispararem e gera novas preocupações para as empresas, que agora gerenciam crises financeiras de seus colaboradores.

O empréstimo consignado privado, prometido como alívio, tornou-se um novo desafio para empresas e funcionários, com juros crescentes e impacto direto no poder de compra.

O crédito consignado para empregados do setor privado, inicialmente promovido como uma ferramenta para livrar trabalhadores de juros abusivos, tem se transformado em uma nova fonte de preocupação para as empresas e um desafio para o poder aquisitivo dos funcionários. Lançado com a promessa de taxas mais acessíveis, o programa viu seus juros subirem expressivamente, impactando diretamente o orçamento mensal das famílias.

Desde o seu lançamento em março, a taxa de juros do novo empréstimo consignado para o setor privado registrou um aumento de 65%. Este incremento substancial contradiz a expectativa inicial de um crédito mais barato, que seria garantido pela antecipação de parte do saldo do FGTS. A realidade atual é que muitos trabalhadores veem uma parcela significativa de seus salários comprometida, inviabilizando suas contas domésticas e reduzindo drasticamente seu poder de compra.

O ônus para as empresas

Para as empresas, a situação é igualmente complexa. Elas foram compelidas a implementar o desconto em folha via eSocial, sem ter qualquer controle sobre a gestão desses valores ou sobre a real necessidade do empréstimo.

Além da burocracia, as companhias agora enfrentam o desafio de gerenciar as crises financeiras de seus colaboradores, que muitas vezes recorrem aos departamentos de Recursos Humanos em busca de ajuda.

Esse cenário tem se mostrado tão sério quanto outros problemas que afetam a produtividade e o bem-estar dos funcionários, como o gasto compulsivo com apostas online. Empresas têm sido forçadas a expandir seus departamentos de RH e até mesmo a criar programas de combate à ludopatia, a doença do jogo, para auxiliar trabalhadores que se tornaram dependentes de plataformas de apostas.

O consignado, ao invés de ser uma solução, adiciona uma nova camada de complexidade à saúde financeira dos empregados.

A raiz do problema, segundo análises, reside na forma como o programa foi apresentado ao governo. Houve uma suposta desonestidade na argumentação de que as taxas seriam intrinsecamente mais baixas devido à garantia do FGTS.

Contudo, o mercado tem mostrado uma dinâmica diferente, com juros crescentes que penalizam o trabalhador e transferem para as empresas a responsabilidade de lidar com as consequências da perda de poder aquisitivo de seus quadros.

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