A advogada e influenciadora Deolane Bezerra acumula, até o momento, oito pedidos de liberdade negados ao longo de 43 dias de prisão preventiva. As negativas vieram de cinco instâncias diferentes do Judiciário e representam o pior ciclo enfrentado por sua defesa, que já recorreu a diversas instâncias sem sucesso. Em todas as tentativas, a resposta foi sempre negativa.
As decisões desfavoráveis envolveram a Justiça de primeira instância de São Paulo, o Tribunal de Justiça de São Paulo, que rejeitou pedidos em três ocasiões, além do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Civil também negou requerimentos administrativos da defesa. Deolane foi presa no dia 21 de maio durante a Operação Vérnix, realizada pela Polícia Civil e pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo, e atualmente está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, em uma sala de Estado-Maior, conforme previsto no Estatuto da Advocacia.
A rejeição mais recente ocorreu na sexta-feira, 27, quando o TJSP negou um habeas corpus, sendo este o terceiro pedido apresentado ao tribunal. Anteriormente, no dia 9 de junho, o STJ havia negado, por unanimidade, um pedido de conversão da prisão preventiva em domiciliar, fundamentado na condição de Deolane como mãe e única responsável por uma filha de dez anos. A ministra relatora Maria Marluce Caldas destacou que a decisão estava alinhada com a jurisprudência da corte.
Aury Lopes Jr., advogado responsável pela defesa de Deolane, classificou a prisão como “excessiva, desnecessária e midiática”. Ele argumentou que sua cliente foi tratada como um “personagem e um troféu midiático”. O ministro Flávio Dino, do STF, também havia negado, em maio, um pedido de prisão domiciliar, afirmando não ter identificado “ilegalidade evidente que justificasse intervenção excepcional da corte”.
A investigação atual apura a utilização da estrutura financeira de Deolane para dar aparência de legalidade a recursos oriundos do Primeiro Comando da Capital. As autoridades afirmam que a advogada abriu 35 empresas em um único endereço, e que comprovantes de depósitos diretos em suas contas foram encontrados em um celular apreendido com os proprietários de uma transportadora sob investigação.
Deolane Bezerra, junto com Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outras cinco pessoas, foi indiciada pela Polícia Civil de São Paulo por organização criminosa e lavagem de capitais. Em 18 de junho, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do MPSP, tornando-os réus. A defesa sustenta a inocência de Deolane, alegando que todo seu patrimônio está bloqueado, as movimentações financeiras são rastreáveis e que não havia risco de fuga, uma vez que ela foi presa em casa após retornar de uma viagem a Roma com a filha.