O Banco Central divulgou que a Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui o Governo Federal, o INSS e os governos estaduais e municipais, alcançou 81,9% do PIB, totalizando R$ 10,8 trilhões em junho de 2026. Este é um marco inédito na história fiscal do Brasil.
Para contextualizar, em junho de 2023, no início do governo Lula, a Dívida Pública Federal era de R$ 5,95 trilhões, enquanto agora, no mesmo mês, esse valor subiu para R$ 9,26 trilhões. A Dívida Pública Federal (DPF) refere-se ao total de títulos emitidos pelo governo brasileiro através da Secretaria do Tesouro Nacional.
Embora a cifra de R$ 10,8 trilhões possa parecer alarmante, para uma economia em crescimento como a brasileira, não é necessariamente um indicativo de crise. Por exemplo, a dívida pública dos Estados Unidos superou os US$ 39,4 trilhões, representando 126% do PIB, sem que isso tenha gerado um alarde significativo.
Entretanto, o Brasil enfrenta uma situação complicada. Diferentemente dos Estados Unidos, onde 20% dos títulos têm vencimentos de 20 a 30 anos, no Brasil, há uma dificuldade em atrair investidores para papéis com prazos superiores a 48 meses. Esse cenário configura um desafio para o governo Lula e para a administração futura.
A gestão da dívida pública no Brasil é complexa, especialmente considerando que muitos títulos têm vencimento em prazos curtos. Em junho, por exemplo, R$ 1,85 bilhão, correspondente a 20,07% da DPF, venceu, exigindo que o governo tivesse esse montante disponível para pagamento ou para a rolagem da dívida.
O governo contava com apenas R$ 7,33 bilhões em caixa e, para conseguir rolar a dívida vencida, precisou emitir novos títulos da Dívida Pública Federal no total de R$ 149,59 bilhões, resultando em um aumento líquido da emissão de R$ 142,25 bilhões. Isso pode ser comparado a pagar uma pequena parcela de uma fatura de cartão de crédito e refinanciar o restante do saldo.