Em uma audiência realizada no Senado, especialistas discutiram os obstáculos que o Brasil enfrenta para expandir suas energias renováveis. O debate, ocorrido na terça-feira (11), trouxe à tona a realidade de um país que, apesar de contar com uma matriz elétrica predominantemente limpa e recursos naturais abundantes, ainda enfrenta desafios significativos no setor.
Entre os principais entraves identificados por representantes do governo e do setor produtivo estão a necessidade de modernização da rede de transmissão, a falta de regulamentação para alternativas como a energia eólica offshore e o hidrogênio verde, além do desperdício do potencial de produção. Outro ponto crítico abordado foi a dificuldade em estabelecer tarifas que incentivem investimentos sem sobrecarregar o consumidor final.
Presidida pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), a audiência foi convocada pela Presidência da Casa e outros senadores para discutir o papel do Brasil na Transição Energética global. Oliveira enfatizou a urgência em alinhar as capacidades naturais do país com as necessidades de infraestrutura, destacando a importância de garantir a liderança do Brasil no cenário internacional.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) alertou sobre as consequências tarifárias para os cidadãos e para o setor produtivo. Com base em dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apontam que 83% do setor industrial percebe uma perda de competitividade em razão do custo da Energia Elétrica, a parlamentar criticou os subsídios distorcidos que elevam as tarifas em comparação com países como China e Canadá. "Nossa missão não é apenas gerar energia limpa, mas também assegurar energia acessível, segura e que promova a prosperidade do povo brasileiro", afirmou Tereza Cristina.
Durante a sessão, o secretário nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), João D, abordou a vulnerabilidade do Brasil, um tema central do debate. Lieven Cooreman, CEO da Atlas Agro Brasil, ressaltou a dependência do país em relação a fertilizantes importados, uma situação que foi evidenciada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz durante conflitos internacionais.
Angela Livino, líder regional para o Brasil da Associação Internacional de Hidroeletricidade, propôs o armazenamento hidráulico reversível como uma solução para a segurança elétrica, citando exemplos de países como China, Índia, Reino Unido e Portugal. A diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado de Jesus, destacou que o Brasil possui condições geopolíticas e energéticas favoráveis para liderar a produção de hidrogênio verde, amônia, metanol e fertilizantes sustentáveis, sem depender de rotas de navegação instáveis.