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Descartada por Trump, María Corina Machado tem apoio na Venezuela?

Principal rival do chavismo e uma das vozes mais conhecidas da oposição venezuelana, María Corina Machado voltou ao centro do debate político após a...

Principal rival do chavismo e uma das vozes mais conhecidas da oposição venezuelana, María Corina Machado voltou ao centro do debate político após a captura de Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos. O episódio chegou a alimentar a expectativa de que a líder opositora pudesse reassumir protagonismo e, eventualmente, retornar aos holofotes do poder em um cenário de transição política no país.

A possibilidade, no entanto, foi rapidamente descartada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que, em entrevista coletiva concedida em Mar-a-Lago, na Flórida, minimizou publicamente o peso político de Corina Machado.

Questionado sobre a chance de Corina liderar a Venezuela, o republicano afirmou achar que “seria muito difícil ser a líder porque ela não tem o apoio ou o respeito de todo o país; ela é uma mulher muito simpática, mas ela não tem respeito”.

Engenheira de formação e ex-deputada, María Corina Machado consolidou-se ao longo da última década como a mais combativa adversária do chavismo, defendendo sanções internacionais e o isolamento diplomático do regime de Maduro.

Em 2025, ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz, reconhecimento que, segundo o comitê, se deu “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

Apesar do prestígio internacional, Corina Machado foi impedida pelo Judiciário venezuelano de disputar a eleição presidencial de 2024. O pleito, realizado no fim de julho, foi marcado por falta de transparência e teve a reeleição de Maduro amplamente contestada fora do país.

Naquele processo, o candidato da oposição foi Edmundo González, derrotado oficialmente pelo então presidente. Diversos países, dentre eles o Brasil, evitaram reconhecer o resultado, colocando em dúvida a legitimidade da vitória chavista. Desde então, Corina Machado passou a viver escondida, sob alegação de risco à própria segurança.

Após a ofensiva dos Estados Unidos que resultou na captura de Maduro e da esposa, Cilia Flores, a líder opositora se pronunciou celebrando a ação.

Em mensagens publicadas nas redes sociais, afirmou que chegou a “hora da liberdade” na Venezuela e convocou a população a “ficar pronta” para colocar em prática um plano que, segundo ela, será anunciado em breve.

Corina também pediu mobilização dos venezuelanos que vivem no exterior, convocando-os para uma “grande operação de construção da nova Venezuela”.

“Chegou a hora de que a Soberania Popular e a Soberania Nacional governem nosso país. Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa. Lutamos por anos, entregamos tudo, e valeu a pena. O que tinha que acontecer está acontecendo”, escreveu.

As declarações de Trump, no entanto, adicionaram novas incertezas ao cenário. Além de minimizar o papel de Corina Machado, o presidente afirmou que os Estados Unidos pretendem “administrar” a Venezuela até que haja uma transição política, sem detalhar como isso ocorreria. A fala abriu questionamentos sobre quem Washington reconheceria como autoridade legítima no país durante esse período.

O Brasil, por exemplo, já reconheceu Delcy Rodríguez, vice de Maduro, como líder da Venezuela, a quem a Suprema Corte da Venezuela determinou que assumisse o comando do país após a queda do presidente. Ainda assim, permanece a dúvida sobre a estratégia norte-americana.

Ataque na Venezuela

Os Estados Unidos atacaram, no último sábado (3/1), diversas regiões da Venezuela e o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que capturou Nicolás Maduro e Cilia Flores. O casal foi levado para Nova York, onde o venezuelano será julgado por narcoterrorismo.

Horas depois da captura, Trump chegou a publicar uma foto do líder chavista com os olhos vendados, algemado, e usando abafadores nos ouvidos. Na publicação, também é possível ver que ele está segurando uma garrafa de água. De acordo com o presidente norte-americano, a fotografia foi registrada a bordo do USS Iwo Jima, navio que transportou Maduro para os EUA.

Depois, em declaração pública na Flórida, Trump disse que a ofensiva contra a Venezuela foi por causa do petróleo na região e que, depois da captura de Maduro, os Estados Unidos irão administrar o país até haver uma transição de poder.

Com a saída de Maduro, quem assumiu o comendo da Venezuela foi a vice-presidente, Delcy Rodriguez. Durante uma reunião do Conselho de Defesa do País no sábado (3), ela afirmou que a Venezuela não irá se render aos EUA.

Fonte: Metropole

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