Os alertas de desmatamento da Floresta Amazônica no primeiro semestre de 2026 apresentaram a menor taxa em uma década. Entre janeiro e junho, foram registradas perdas de 1.295 km² de vegetação nativa, conforme indicam os dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este índice é o mais baixo desde o início da série histórica, refletindo um avanço no controle da degradação florestal.
No Cerrado, a área alertada para desmatamento também diminuiu, totalizando 3.142 km² nos primeiros seis meses de 2026, representando uma redução de 6% em comparação com o mesmo período do ano anterior, 2025. Na Amazônia, a queda foi ainda mais significativa, com uma redução de 38% em relação ao ano passado.
Os dados foram divulgados na última sexta-feira, 10 de julho de 2026, e fazem parte do sistema de alerta Deter, que apoia a fiscalização do desmatamento e da degradação florestal, ações realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outros órgãos competentes.
A Amazônia e o Cerrado representam, respectivamente, 49% e 24% do território nacional. A soma das áreas sob alerta de desmatamento nos dois biomas em 2026 atinge 4.437 km². Ao analisar apenas o mês de junho, a Amazônia perdeu 297 km² e o Cerrado, 482 km², com reduções de 35% e 5% em relação a 2025.
Essa tendência de diminuição do desmatamento nos últimos anos é atribuída à retomada de políticas de controle do desflorestamento, ao fortalecimento dos órgãos de fiscalização e à imposição de restrições financeiras a desmatadores. Apesar dos avanços, os índices de desmatamento ainda são alarmantes. Entre 2001 e 2025, o Brasil registrou a segunda maior perda relativa de cobertura arbórea do mundo, com 76 milhões de hectares desmatados, o que representa uma redução de 15% desde o ano 2000, correspondendo a 14% da perda global de cobertura florestal.
No início do ano, as taxas de desmatamento tendem a ser mais baixas devido à estação chuvosa, que inibe queimadas. Em regiões como Mato Grosso do Sul e partes de Goiás, as chuvas podem se intensificar. No Sudeste, os efeitos climáticos são variáveis, com possibilidade de aumento da precipitação em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, enquanto áreas mais ao norte podem enfrentar diminuição das chuvas, além de riscos de estiagens e ondas de calor.