Medida preventiva surge em meio a crescentes tensões com os Estados Unidos sobre a Groenlândia e preocupações com cibersegurança.
A Dinamarca orienta funcionários a desativar Bluetooth em dispositivos, temendo ciberataques em meio a tensões com os EUA pela Groenlândia e buscando reforçar a segurança.
A Dinamarca tomou medidas preventivas significativas em sua segurança digital, orientando funcionários do governo a desativar o Bluetooth de seus dispositivos. A decisão surge em um cenário de escalada de tensões com os Estados Unidos, particularmente em relação ao status da Groenlândia, e reflete crescentes preocupações com a cibersegurança e a interceptação de dados sensíveis.
Conforme reportado pelo jornal Le Parisien e confirmado por um comunicado do departamento de cibersegurança da polícia dinamarquesa, a recomendação se estende a celulares, tablets, computadores e outros equipamentos com tecnologia Bluetooth, tanto para uso profissional quanto pessoal. O objetivo é mitigar o risco de ciberataques que possam comprometer comunicações confidenciais e informações de segurança nacional.
Reforço da Segurança na Groenlândia
Em paralelo às preocupações digitais, a Dinamarca busca fortalecer a segurança física da Groenlândia. A primeira-ministra Mette Frederiksen anunciou que Copenhague propôs à OTAN uma presença militar permanente na região, inspirando-se no modelo já implementado nos países bálticos.
Essa iniciativa visa garantir a estabilidade e a defesa da maior ilha do mundo, considerada estratégica no Ártico.
A proposta, já apresentada ao secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, busca replicar o sucesso da missão Baltic Sentinel, que mantém tropas estacionadas na Estônia, Letônia e Lituânia, além de realizar vigilância marítima. Frederiksen indicou que houve uma “resposta positiva” da aliança, e que exercícios militares como o “Resistência Ártica” já estão sendo conduzidos com aliados europeus, com total transparência para Washington.
As tensões com os Estados Unidos foram acentuadas pela intenção do ex-presidente Donald Trump de adquirir a Groenlândia. A recusa dinamarquesa levou a ameaças de imposição de tarifas sobre produtos de países europeus que se opuseram à anexação, incluindo a Dinamarca.
Este contexto geopolítico complexo sublinha a urgência das medidas de segurança adotadas por Copenhague.
Diante desse quadro, o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen alertou a população para se preparar para cenários extremos. A Dinamarca, juntamente com aliados europeus, avalia o risco de agravamento da crise e já articula respostas militares coordenadas para proteger seus interesses e soberania no Ártico.