O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) utilizou seu perfil no X na quarta-feira (17.jun.2026) para fazer uma crítica ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que relatou a condenação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 4 anos e 2 meses de prisão. Em sua publicação, Eduardo compartilhou uma imagem de Moraes ao lado de Voldemort, vilão da série Harry Potter, e questionou a rapidez da Justiça do Brasil em relação à dos Estados Unidos, mencionando que não foi intimado sobre o processo que o condenou por crime praticado em solo americano.
O personagem Voldemort, criado pela escritora britânica J.K. Rowling, é conhecido por sua ambição de dominar o mundo mágico e eliminar aqueles que considera inferiores, sendo facilmente reconhecido por sua aparência pálida e a ausência de nariz. A escolha de Eduardo por essa referência evidencia seu descontentamento com o sistema judicial brasileiro, especialmente em relação ao ministro Moraes, que frequentemente tem sido alvo de suas críticas.
Após a decisão da 1ª Turma do STF, que condenou Eduardo por coação no curso do processo, o ex-deputado recorreu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), solicitando a reativação das sanções norte-americanas contra o magistrado. Eduardo descreveu Moraes como um “violador de direitos humanos”, não reconhecendo o processo judicial e alegando que o ministro atuou como vítima e julgador ao mesmo tempo.
A condenação de Moraes, que foi aplicada com base na Lei Magnitsky, resultou em restrições financeiras e de entrada nos EUA em julho de 2025, mas essas medidas foram revogadas em dezembro do mesmo ano. O crime pelo qual Eduardo foi condenado, conforme o artigo 344 do Código Penal, envolve o uso de violência ou grave ameaça contra autoridades ou outras pessoas envolvidas em processos judiciais, com o intuito de favorecer interesses pessoais ou de terceiros.
Além da pena de 4 anos e 2 meses em regime semiaberto, Eduardo também foi condenado ao pagamento de 50 dias-multa, totalizando R$ 162,1 mil. A decisão do STF incluiu a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e a inelegibilidade do ex-deputado. Contudo, os efeitos da condenação não são imediatos, pois a defesa ainda pode recorrer, sendo os embargos de declaração a opção mais provável para contestar detalhes da decisão.
A execução da pena ocorrerá apenas após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidades de recurso. Eduardo não será preso imediatamente em razão da sentença, a menos que o STF decretem prisão preventiva. Em caso de condenação definitiva ou ordem de prisão, o Brasil poderá solicitar a extradição do ex-deputado, o que dependerá da análise das autoridades americanas, visto que Eduardo reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.