O ex-embaixador da Argentina no Brasil, Juan Pablo Lohlé, avaliou que o presidente argentino, Javier Milei, errou ao criticar publicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista divulgada nesta terça-feira (28.jul.2026), Lohlé alertou que a tensão diplomática gerada por essas declarações pode causar mais danos à Argentina do que ao Brasil.
Lohlé, que ocupou o cargo de embaixador no Brasil de 2003 a 2011, destacou que há uma preocupação crescente entre influentes setores econômicos da Argentina em relação às declarações de Milei. “Tem pessoas muito influentes no setor econômico que estão achando isso tudo uma loucura. A influência que vai ter no setor econômico é muito importante”, afirmou, ressaltando que o mercado ainda não se manifestou de forma mais contundente sobre o tema.
O ex-embaixador considerou que Milei ultrapassou os limites esperados nas relações internacionais ao desferir críticas ao presidente brasileiro. “Para mim, foi desproporcionada a fala do Milei, desproporcionado por ter a chancelaria de lado, o cônsul de lado, e falar palavrão contra Lula”, disse. Ele enfatizou a necessidade de respeitar as normas nacionais e internacionais em questões diplomáticas e lamentou que a Argentina tenha um presidente que adote esse tipo de postura.
Lohlé também defendeu que o Ministério das Relações Exteriores argentino deveria ter atuado para evitar esse tipo de incidente. “Hoje, minha percepção é que vai perder a Argentina, porque é um país que não tem a fortaleza que tem hoje o Brasil. Tem um erro, para mim, um erro total”, comentou, enfatizando a ausência de um ministro das Relações Exteriores que pudesse ter mediado a situação.
Sobre a possibilidade de Milei se desculpar com Lula, Lohlé expressou ceticismo, afirmando que isso não deve ocorrer em um futuro próximo e que tal atitude representaria uma mudança significativa para o presidente argentino.
As declarações de Milei, feitas no sábado (25.jul), incluíram comentários sobre o que ele chamou de “risco Lula” e críticas ao ministro Alexandre de Moraes, que foram vistas como insultos. Ele também fez referências a um conceito econômico argentino, o “risco Kuka”, relacionado à família Kirchner, o que gerou um aumento nas tensões entre Brasília e Buenos Aires. As relações já estavam marcadas por divergências políticas desde a posse de Milei, em dezembro de 2023.