O Governo Lula enfrentou um revés nesta terça-feira (9) ao ser surpreendido por uma declaração da União Europeia, que confirmou ter alertado sobre a possibilidade de veto à importação de carne e soja. O porta-voz da UE para comércio, Olof Gill, afirmou que o Brasil e o setor agropecuário não tomaram as medidas necessárias para evitar o embargo, mesmo tendo condições para isso.
O veto foi oficializado e começará a valer em setembro de 2023, proibindo o Brasil de exportar ao bloco europeu produtos como bovinos, equinos, aves de capoeira, ovos, produtos de aquicultura, mel e envoltórios. Essa decisão, segundo a porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, está relacionada ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.
Hrncirova enfatizou que o Brasil não apresentou garantias sobre a não utilização desses produtos na criação de animais. Ela ressaltou que é fundamental que o Brasil cumpra os requisitos da União Europeia em relação ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais que originam os produtos exportados.
No entanto, a porta-voz europeia mencionou que existe a possibilidade de reverter o embargo. “Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, afirmou, destacando que o bloco tem colaborado com as autoridades brasileiras para resolver a questão.
Olof Gill também se mostrou otimista em relação ao futuro das relações comerciais, acreditando que esse incidente não deve impactar o acordo entre a UE e o Mercosul, que foi aprovado em janeiro de 2026 após 25 anos de negociações.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, garantiu que o diálogo com a União Europeia continuará. Ele afirmou que o Brasil está comprometido em provar que está atuando em conformidade com as regras, ressaltando que a carne brasileira é “inatacável”. Vieira acrescentou que a sanidade dos produtos brasileiros é uma questão tratada com frequência e seriedade.