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Estado de SP registra maior número de feminicídios e de agressão a mulheres da história

Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam uma escalada preocupante da violência de gênero, com 233 feminicídios e mais de 61 mil lesões...

Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam uma escalada preocupante da violência de gênero, com 233 feminicídios e mais de 61 mil lesões corporais dolosas de janeiro a novembro de 2023.

São Paulo atinge recordes históricos de feminicídios e agressões contra mulheres, com 233 casos e mais de 61 mil lesões corporais dolosas de janeiro a novembro.

O estado de São Paulo atingiu, entre janeiro e novembro de 2023, o maior número de feminicídios e de agressões a mulheres desde o início da série histórica. Os dados alarmantes, divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) na última terça-feira (30), revelam um cenário preocupante de escalada da violência de gênero em todo o território paulista.

No acumulado do ano, os crimes de feminicídio somaram 233 casos, superando todas as marcas desde que a tipificação penal foi criada em 2015 e a série histórica iniciada em 2018. As agressões contra mulheres, registradas como lesão corporal dolosa, também bateram recorde com 61.474 queixas nas delegacias, a maior marca desde 2012.

Somente em novembro, foram 5.936 casos de agressão, um aumento em relação aos 5.522 do mesmo mês no ano anterior. A capital paulista, inclusive, já havia superado seu próprio recorde de feminicídios, totalizando 58 ocorrências.

Esses números trágicos são acompanhados por histórias de brutalidade que chocam a sociedade. Entre os casos recentes, destaca-se o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que faleceu após ser atropelada e arrastada por um quilômetro por seu ex-companheiro, ficando 25 dias internada e tendo as duas pernas amputadas. Outras vítimas incluem Tatiana Aparecida Vieira, de 40 anos, encontrada morta em Guarulhos, com o ex-companheiro como principal suspeito, e Sueli Araújo de Souza, de 42 anos, assassinada com mais de 20 tiros em uma adega na zona sul da capital.

Ações e Desafios

Em resposta à onda de violência, o governo de São Paulo, por meio das secretarias da Segurança Pública e de Políticas para a Mulher, tem implementado ações. Uma operação recente, realizada entre segunda e terça-feira, resultou na prisão de 582 infratores, a maioria por mandado de prisão e 18 em flagrante.

A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), Cristiane Braga, informou que a maior parte dos presos responde por lesão corporal e descumprimento de medidas protetivas. Ao longo do ano, a SSP contabilizou mais de 11 mil agressores presos.

A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacou a criação de uma política intersecretarial, com iniciativas como o Protocolo Não se Cale, o App Mulher Segura, a expansão das Salas DDMs 24h (totalizando 170 unidades) e a construção de Casas da Mulher Paulista para acolhimento e apoio.

Especialistas apontam que o feminicídio é, frequentemente, o desfecho de um ciclo prolongado de violência. Além da melhoria na caracterização e registro dos crimes desde a sanção da Lei do Feminicídio em 2015, há um consenso de que a violência na sociedade tem aumentado.

O principal desafio reside na prevenção, que demanda maiores investimentos em educação, incluindo a reeducação masculina, e no fortalecimento das redes de proteção e acolhimento às vítimas. O cenário atual exige uma mobilização contínua e multifacetada para garantir a segurança e a integridade das mulheres no estado.

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