O representante COMERCIAL dos Estados Unidos, Jamison Greer, confirmou na quinta-feira, 23 de julho de 2026, que a partir do dia seguinte, 24 de julho, entrará em vigor uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Essa decisão ocorre em um contexto de aumento das tarifas comerciais entre os dois países, que já haviam sido elevadas a 25% em 15 de julho, totalizando assim tarifas de até 37,5% sobre alguns produtos.
A determinação do USTR (Escritório do Representante COMERCIAL dos EUA) está vinculada a uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, que concluiu que o Brasil não tem sido eficiente no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Essa questão é um dos principais pontos de tensão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, já esperava essa medida, que foi confirmada pelo ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, em 16 de julho. Rosa havia antecipado que a sobretaxa prevista seria de 12,5%. O ministro mencionou que essa nova tarifa substituiria uma anterior de 10%, sendo que a maioria dos países recebeu uma taxa de 10%, enquanto alguns, como o Brasil, foram atribuídos à taxa de 12,5%.
A investigação que levou à aplicação das tarifas em julho incluiu temas que vão desde o comércio digital até a proteção à propriedade intelectual. Um dos achados indicou que as políticas públicas brasileiras favorecem o sistema de pagamentos Pix, colocando as empresas norte-americanas nesse setor em desvantagem.
Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR realizou uma audiência pública para discutir a proposta de tarifas, mas o governo brasileiro optou por não enviar representantes para se manifestar. Apenas membros da Embaixada do Brasil em Washington estiveram presentes como observadores. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto pelo PL, compareceu na segunda audiência, mas seu testemunho não teve impacto na decisão do então presidente Donald Trump.
As tarifas iniciais impostas pelos EUA começaram em 2 de abril de 2025 e foram estabelecidas com uma taxa de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. A medida afetou no total 185 nações e territórios, com o objetivo de reduzir o déficit COMERCIAL dos Estados Unidos.