A pesquisa realizada pela Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo) destaca a coragem dos ciclistas da Região Metropolitana do Recife, que enfrentam riscos diários devido à escassez de infraestrutura adequada para a prática da ciclismo. O estudo, que faz parte da nova rodada da Contagem de Ciclistas 2026, revela um quadro alarmante em relação à desigualdade de gênero, especialmente entre mulheres e crianças que utilizam a bicicleta como meio de transporte.
A ausência de ciclovias segregadas tem um impacto severo, levando as mulheres a situações de risco extremo ou invisibilidade nas vias urbanas. A presença feminina é considerada um dos principais indicadores da qualidade e segurança no ambiente viário, servindo de parâmetro para avaliar a MOBILIDADE urbana em diversas áreas.
Os dados da pesquisa abrangem 12 municípios da Região Metropolitana, excluindo Recife e Araçoiaba, e revelam uma disparidade significativa. Em Ipojuca, 20% da população utiliza a bicicleta como parte da vida comunitária, enquanto em localizações com infraestruturas hostis como Moreno (2%) e Camaragibe (2,5%), a utilização do meio de transporte é drasticamente reduzida, o que reflete a insegurança enfrentada pelas ciclistas.
Em Jaboatão dos Guararapes, a pesquisa encontrou um total de 764 viagens feitas por mulheres, indicando uma demanda substancial por esse modal de transporte, mesmo em condições perigosas. As ciclistas são forçadas a adotar estratégias de sobrevivência, como pedalar nas calçadas e na contramão, devido à FALTA de proteção nas vias.
A pesquisa enfatiza que a exclusão das mulheres no uso da bicicleta não é resultado de suas condutas, mas sim uma consequência direta do planejamento urbano deficiente, que não garante segurança adequada. Em áreas onde a infraestrutura é limitada, as ciclistas frequentemente se veem obrigadas a se deslocar em locais perigosos para evitar acidentes em um trânsito dominado por veículos motorizados.
O estudo revela que a participação feminina Em Jaboatão dos Guararapes é de 15%, enquanto em Itapissuma e Paulista, os números são de 13% e 12%, respectivamente. Em contrapartida, áreas com menor segurança, como Moreno e Camaragibe, apresentam as menores taxas, reforçando a ideia de que a percepção de risco se torna uma barreira para as mulheres.