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Estudo revela razões para o congelamento da Antártida antes do Ártico

Pesquisadores do Reino Unido e da Alemanha investigam fenômenos geológicos que explicam a formação do manto de gelo na Antártida há 34 milhões de...

Um novo estudo publicado na revista Science investiga as forças geológicas que contribuíram para o congelamento da Antártida, que ocorreu milhões de anos antes do Ártico. Realizada por cientistas do Reino Unido e da Alemanha, a pesquisa oferece explicações para dois enigmas interligados da ciência: a razão pela qual a Antártida se cobriu de gelo há cerca de 34 milhões de anos, durante a transição do Eoceno para o Oligoceno, enquanto o Ártico permaneceu sem gelo por aproximadamente 25 milhões de anos; e os níveis elevados de temperatura da superfície do Oceano Antártico, que se mantiveram assim por cerca de 10 milhões de anos após o surgimento do manto de gelo da Antártida Oriental.

A Antártida Oriental é a região que abriga o maior manto de gelo do planeta. Caso esse gelo derretesse completamente, o nível do mar poderia aumentar em 52 metros. A pesquisa revela que a explicação para essa formação de gelo remonta a aproximadamente 170 milhões de anos, quando a Antártida e a África faziam parte do supercontinente Gondwana. A separação entre esses blocos no período Jurássico deu início a processos geológicos complexos que impactaram a formação do gelo.

Quando os continentes se separam, há um movimento ascendente do material quente do manto terrestre, que esfria e afunda, desencadeando instabilidades. Esse fenômeno, descrito pelos pesquisadores como “ondas do manto”, propaga-se ao longo de milhões de anos e pode percorrer mais de 1.000 km sob as rochas continentais. Os cientistas já haviam identificado esse fenômeno em dois estudos anteriores, que mostraram que as ondas do manto podem causar erupções vulcânicas e provocar elevações do terreno em áreas distantes do local de separação.

No novo estudo, modelos computacionais examinaram como essas ondas afetaram a paisagem da Antártida. A pesquisa sugere que a eficiência do processo de resfriamento diminuiu, resultando em uma queda adicional de temperatura. Essa combinação de fatores possibilitou a expansão do manto de gelo, que se estendeu das montanhas até a costa, formando a camada contínua de gelo que observamos atualmente.

Embora o resfriamento adicional de cerca de 1 °C tenha sido suficiente para a Antártida, não foi o bastante para congelar o Ártico. Naquele período, as massas continentais do hemisfério Norte não apresentavam a altitude necessária para que o gelo se formasse. Foram necessários mais 25 milhões de anos, com níveis mais baixos de CO₂ e temperaturas globais menores, para que camadas significativas de gelo se formassem na região ártica.

Os autores do estudo enfatizam que as condições requeridas para a formação de um manto de gelo continental são bastante específicas e demandaram milhões de anos para se consolidar. Contudo, quando esses mantos derretem, sua recuperação é rápida e não ocorre com a mesma facilidade que a formação inicial.

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