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Etanol Brasileiro Busca Mais Espaço na Transição Energética Apesar de Reconhecimento Global

Em um cenário global cada vez mais focado na redução da poluição gerada por combustíveis fósseis, o etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar,...

Em um cenário global cada vez mais focado na redução da poluição gerada por combustíveis fósseis, o etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, foi o tema central da 14ª edição do Fórum Nordeste, realizado nesta segunda-feira (1º). O evento reuniu ministros, o presidente da Câmara Federal, representantes da ANFAVEA e diversos especialistas para debater o futuro desse combustível renovável.

O fórum, organizado pelo Grupo EQM e Sindaçucar, abordou o etanol como um elemento chave para consolidar o programa de biocombustíveis no Brasil e suas perspectivas de crescimento. A discussão abrangeu desde sua utilização na matriz energética de veículos até sua relevância para o Renovabio, um programa de certificação internacionalmente reconhecido. A expansão do etanol de milho no Brasil, com um crescimento anual de 5,7%, 25 plantas instaladas e a previsão de mais 38 até 2028, também foi um ponto importante.

O etanol está ganhando tanto destaque que deverá ser um tema abordado na COP 30, que será realizada em Belém. Em um dos painéis do Fórum Nordeste, o presidente da Bioenergia destacou uma mudança de postura das delegações da União Europeia em relação ao etanol, que antes era visto com desconfiança devido a preocupações com desmatamento e produção de alimentos.

Segundo o presidente da UNICA, a visão agora é de interesse em uma produção sustentável, tanto de cana-de-açúcar quanto de milho. O presidente da Anfavea também afirmou que o etanol será fundamental para enfrentar a questão da eletrificação veicular no país e para o desenvolvimento de uma indústria automobilística verde.

O consultor Plínio Nastari, especialista no setor sucroalcooleiro, ressaltou a importância dos biocombustíveis na integração das cadeias produtivas de cana-de-açúcar, grãos e pecuária. Ele destacou o etanol como uma solução para a descarbonização e o controle do risco climático, lembrando que o Brasil possui o menor custo global de produção de cana-de-açúcar e a Certificação Individual de Intensidade de Carbono, que será crucial para a produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel).

Nastari também apontou desafios como o alto custo do dinheiro e a ascensão do custo da terra. Ele mencionou a baixa penetração do etanol hidratado no consumo da frota flex no Brasil e a falta de reconhecimento dos seus atributos pelos consumidores como um dos maiores problemas do setor, possivelmente decorrente de uma dificuldade em comunicar seus benefícios à sociedade.

Apesar disso, ele vê grandes oportunidades na integração da produção de etanol de milho com o de cana-de-açúcar, na ampliação de produtos como CO2, leveduras e aproveitamento da palha, e nos novos mercados de SAF, biobunker e bioplásticos. Ele também ressaltou que o etanol de milho está mudando a escala de produção de etanol no Brasil e a competição inter-regional, reduzindo a importação no Nordeste e gerando maior equilíbrio entre produtores e revendedores.

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