A quatro meses do primeiro turno das eleições, a pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um momento de incerteza, já que a coordenação jurídica ainda não foi formalizada para atuar junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste cenário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem aproveitado a oportunidade para intensificar sua ofensiva jurídica, acumulando mais de 40 representações eleitorais contra o ex-presidente.
Flávio Bolsonaro contratou Maria Cláudia Bucchianeri, ex-ministra do TSE, para coordenar sua equipe jurídica na campanha. Bucchianeri, que possui experiência na área eleitoral e boas relações com os ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF), montou uma equipe responsável por monitorar ativamente as declarações e ações do PT, visando identificar possíveis propagandas negativas e antecipadas.
Até 2 de junho, a equipe do PL já havia protocolado 44 representações contra Lula e o PT. Em comparação, durante a campanha de 2022, Jair Bolsonaro (PL) havia apresentado 149 representações ao longo de todo o processo. Além disso, Flávio Bolsonaro já está respondendo a 23 representações movidas pelo PT e por outros partidos, como o Missão, totalizando 67 ações relacionadas às eleições de 2026.
Atualmente, o advogado do PT, Angelo Longo Ferraro, atua oficialmente nos casos envolvendo a legenda e a pré-candidatura de Lula. No entanto, há a expectativa de que uma coordenação jurídica para a campanha eleitoral seja organizada para atuar junto ao TSE e, se necessário, na esfera penal.
Lula expressou seu desejo de que Marco Aurélio de Carvalho, advogado do Grupo Prerrogativas e seu amigo próximo, assuma a coordenação da equipe jurídica. Contudo, essa formalização depende de uma reunião com Edinho Silva, coordenador da campanha do PT, que tem se mostrado irredutível em oficializar a indicação de Lula. Silva já buscou outros advogados que possam integrar a equipe, mas a falta de definição pode afetar a dinâmica interna.
A demora na escolha da equipe jurídica é uma preocupação constante entre advogados e auxiliares de ministros do TSE, que acreditam que uma boa interlocução com a equipe é fundamental para agilizar o julgamento das representações. O Poder360 tentou contato com Edinho Silva para obter uma manifestação sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a publicação da matéria. Uma tentativa de contato também foi realizada com Marco Aurélio Carvalho, que afirmou aguardar uma definição da coordenação da pré-campanha sobre sua possível participação.