O senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro, filiado ao PL, fez um pronunciamento nesta sexta-feira (11) em resposta à sobretaxa de 55% imposta pela China sobre a carne bovina brasileira que ultrapassa a cota anual de importação. A questão foi abordada em uma reportagem especial do Conexão Política, divulgada na quinta-feira (9), que também mencionou o silenciamento da imprensa em relação ao tema.
A matéria acumulou mais de 2,3 milhões de visualizações, além de 98 mil curtidas e 50 mil compartilhamentos. Durante seu pronunciamento, Flávio destacou que a tarifa sobre a carne brasileira pode chegar a 62% após o limite ser atingido. "Estou disposto a buscar o governo chinês, a Embaixada, para pedir que isso não aconteça", afirmou o senador.
Flávio Bolsonaro manifestou sua intenção de pressionar líderes chineses para que reconsiderem as condições impostas ao produto brasileiro. Embora não tenha especificado um prazo ou a forma de abordagem que pretende realizar, sua postura remete a uma experiência anterior, quando ele se reuniu com autoridades do governo Trump para discutir a redução de tarifas sobre produtos brasileiros. "Fui lá com a força política para tentar que o tarifaço por parte do governo americano não acontecesse. Não sei se vou conseguir, mas fico com a consciência tranquila de que fiz a minha parte", comentou, fazendo um paralelo entre as duas situações.
O senador também aproveitou a oportunidade para criticar o governo federal, responsabilizando diretamente o presidente Lula pela situação atual. "Não adianta colocar tarifa em cima da gente, isso é culpa do Lula, ele que abrace esse problema", afirmou Flávio, ampliando suas críticas para as restrições sanitárias impostas pela Europa às proteínas brasileiras. Ele destacou: "O Brasil nem pode exportar algumas proteínas para a Europa porque não atendeu algumas exigências sanitárias. É uma incompetência".
A cota anual da China para a importação de carne bovina brasileira é de 1,106 milhão de toneladas sem a aplicação de sobretaxa. De acordo com a consultoria StoneX, até o fim de junho, o Brasil já havia preenchido 98,5% desse limite. O saldo restante deve se esgotar em agosto, momento em que qualquer embarque adicional será tributado em 67%, que é a soma dos 12% iniciais e da sobretaxa de 55%.
Atualmente, a China representa 52% de todas as exportações de carne bovina do Brasil. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que as exportações totais de carne bovina possam sofrer uma queda de até 10% em 2026, resultando em um impacto de até 3 bilhões de dólares na receita do setor. Dezenas de frigoríficos já interromperam a produção destinada ao mercado chinês e estão concedendo férias coletivas em função do prazo que se aproxima para a validade das cotas.