Nos últimos anos, o cenário do jornalismo impresso tem enfrentado desafios significativos, especialmente em relação à sua sustentabilidade. Um caso recente que ganhou destaque nas redes sociais revela a trajetória de uma startup que, utilizando inteligência artificial, encerrou as atividades de 47 jornais semanais no Alabama.
O relato, publicado em um site chamado The Editorial, aborda a ascensão e a queda do 1819 News, uma rede de mídia conservadora que adquiriu diversos jornais rurais. Em 2023, a Alabama Community News LLC, com recursos provenientes do 1819 News, investiu US$ 3,2 milhões na compra desses veículos, demitindo suas equipes e substituindo-as por conteúdo gerado por algoritmos.
A reportagem, escrita por Elena Marchetti, explora as repercussões dessa mudança no jornalismo local, que já vinha sofrendo com a diminuição da circulação e o fechamento de redações. A prática de substituir jornalistas por inteligência artificial levanta questões sobre a qualidade da informação e a responsabilidade na cobertura de eventos relevantes nas comunidades afetadas.
O 1819 News já havia sido criticado anteriormente por suas reportagens controversas, incluindo uma que resultou em um trágico evento envolvendo um prefeito local. Agora, a estratégia de expandir sua presença no estado por meio da aquisição de jornais semanários e a utilização de tecnologia para gerar conteúdo lança um questionamento sobre a ética e a integridade no jornalismo.
Além disso, a utilização de inteligência artificial para criar notícias pode facilitar a disseminação de desinformação. Esse fenômeno destaca como a tecnologia pode ser utilizada para reduzir custos, mas também para criar um ambiente propício à má informação.
Joshua Benton, redator sênior e ex-diretor do Nieman Lab, enfatiza a importância de se prestar atenção a essas mudanças no jornalismo. A situação atual serve como um alerta sobre os perigos da desinformação estruturada que pode surgir de fontes inesperadas e que simula conhecimento técnico, mas carece de veracidade.