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Coisa de profissional, penduricalho nasce pela competência de quem sabe como tornar legal um benefício que atende a poucos

Ministro Flávio Dino do STF determina revisão de 'penduricalhos' no serviço público, mas a legalidade dos benefícios gera debate e resistência do Legislativo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, proferiu uma determinação crucial nesta quinta-feira, solicitando que os Três Poderes revisem e suspendam os chamados ‘penduricalhos’ ilegais no serviço público. A iniciativa, embora louvável em seu propósito de moralizar as despesas, enfrenta um desafio intrínseco: a grande maioria dos benefícios questionáveis no Brasil já está prevista em lei, o que os confere uma aparência de legalidade e dificulta sua remoção.

A complexidade da questão reside no fato de que nenhum desses benefícios, muitas vezes considerados socialmente questionáveis, é aprovado sem uma base legal. Profissionais especializados atuam para garantir que tais ‘penduricalhos’ sejam inseridos em marcos legislativos, tornando-os, perante a lei, despesas válidas. Rigorosamente, poucas dessas despesas que o ministro Dino classifica como “ilegais” no serviço público foram aprovadas sem uma análise jurídica para enquadrá-las em alguma legislação específica. Sem essa condição, o pagamento seria inviável.

O Desafio da Legalidade dos Benefícios

Essa dinâmica gera um paradoxo. Enquanto a sociedade e parte do Judiciário veem esses benefícios como excessivos ou injustos, a estrutura legal existente os ampara.

A aparente contradição entre a percepção pública e a realidade jurídica é um dos maiores obstáculos para a efetiva suspensão ou revisão desses pagamentos, exigindo um debate aprofundado sobre a ética e a legalidade das remunerações no setor público.

A reação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, evidencia essa percepção. Ele afirmou que as aprovações recentes do Congresso, caso sancionadas pelo presidente, estariam ‘aprovadas por lei’.

Motta destacou que a decisão do ministro Dino ‘não pega essas mudanças no Congresso’, indicando uma possível sobreposição ou conflito entre a determinação do STF e as prerrogativas do Poder Legislativo na criação de novas leis que possam instituir ou manter tais benefícios.

A determinação de Flávio Dino, portanto, lança luz sobre uma questão profundamente enraizada na administração pública brasileira. Ela desafia a capacidade dos Três Poderes de reavaliar práticas estabelecidas, mesmo quando amparadas por lei, em busca de maior equidade e transparência nos gastos públicos.

A tarefa é árdua e exige não apenas vontade política, mas uma revisão profunda de normas e entendimentos jurídicos, prometendo ser um tema central no debate político e jurídico do país.

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