Analista de TV alerta que emissoras precisam adaptar formatos para reter público em meio à ascensão do streaming e redes sociais.
Flávio Ricco adverte: novelas devem diminuir drasticamente de duração ou enfrentarão sérios prejuízos, perdendo público para novas mídias e formatos rápidos.
O colunista Flávio Ricco lançou um alerta contundente sobre o futuro das novelas brasileiras. Segundo sua análise, as emissoras de televisão se encontram em uma encruzilhada: ou aceitam a premente necessidade de reduzir drasticamente a duração de suas produções dramatúrgicas, ou enfrentarão prejuízos financeiros cada vez maiores e o risco iminente de ver o gênero perder sua relevância para o público.
A era de ouro das longas tramas parece estar chegando ao fim, impulsionada por uma transformação radical nos hábitos de consumo de mídia.
No passado, o formato extenso das novelas encontrava terreno fértil. A ausência de opções de entretenimento e os costumes sociais da época favoreciam a dedicação do telespectador a histórias que se desenrolavam por meses, por vezes anos. Esse modelo garantiu sucesso e audiência cativa por um período considerável, consolidando as novelas como um pilar da programação televisiva brasileira e um produto de exportação cultural.
A Nova Realidade do Consumo de Mídia
Contudo, o cenário atual é drasticamente diferente. A insistência em manter o mesmo padrão de duração e desenvolvimento narrativo tem se mostrado uma estratégia insustentável.
O público de hoje não se restringe mais à televisão aberta; ele se divide entre a vasta oferta de plataformas de streaming, o dinamismo das redes sociais e o imediatismo dos vídeos curtos. Essa pulverização da atenção gerou um novo tipo de espectador, com menos paciência para tramas arrastadas, núcleos excessivos e histórias que demoram a engrenar.
As perdas de audiência acumuladas nos últimos anos já são um indicativo claro dessa mudança. Ricco aponta que a paciência que antes caracterizava o telespectador para acompanhar narrativas alongadas simplesmente não existe mais.
A capacidade de prender a atenção em um mundo de gratificação instantânea exige um ritmo narrativo mais ágil e focado, algo que as novelas tradicionais, em sua maioria, não conseguem entregar.
Um exemplo prático das consequências dessa inadaptação foi a decisão do SBT de encerrar suas produções dramatúrgicas. Embora outros fatores possam ter contribuído, a dificuldade em manter a relevância e atrair o público com formatos que não ressoam mais com as expectativas atuais certamente pesou na balança.
É um sinal de alerta para as demais emissoras que ainda investem pesadamente no gênero.
Para Flávio Ricco, a solução passa pela inovação. Reduzir a duração das novelas não é apenas uma questão de cortar capítulos, mas de repensar a estrutura narrativa, tornando-a mais concisa, dinâmica e envolvente desde o primeiro momento.
Somente assim as novelas poderão competir efetivamente no ecossistema de mídia contemporâneo, evitando o risco de se tornarem uma relíquia do passado. A adaptação é, portanto, uma questão de sobrevivência para um dos produtos culturais mais icônicos do Brasil.